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No espaço de um ano, Portugal perdeu três empresários marcantes. Américo Amorim, Belmiro de Azevedo e Pedro Queiroz Pereira não só estavam entre os homens mais ricos, como eram sinónimo dos três maiores grupos industriais do país, que construíram quase de raiz ou elevaram para a primeira liga do universo empresarial. Agora, os rostos principais do futuro da Sonae, Grupo Amorim e Semapa são femininos.

Estas sucessões têm outro ponto em comum, os “herdeiros” são as filhas. Mas Sonae, Semapa e Amorim não são casos isolados de promoção de mulheres a cargos de administração. É um fenómeno que se espalha, ainda que devagar, pelas grandes empresas da bolsa. O movimento pode ser explicado em parte pela antecipação das novas regras de paridade que entraram em vigor este ano, mas também há o reconhecimento do mérito e da qualificação feminina que em muitas áreas já é superior ao dos homens, realçam os especialistas em governo das sociedades (governance), ouvidos pelo Observador.

Tiago Borges, especialista da consultora de recursos humanos Mercer, defende que o facto de terem surgido “exemplos recentes de sucessão de mulheres em grupos de matriz familiar só demonstra que cada vez existem menos preconceitos quanto às capacidades de gestão e liderança das mulheres, e da sua capacidade em conciliarem uma exigente vida pessoal com profissional.”

“Nada obrigava o Grupo Sonae a dar o principal cargo executivo a uma mulher”, ilustra Tiago Borges, citando o único caso em que uma mulher foi escolhida para liderar, de facto e com todo o poder, uma grande empresa. “Fora das empresas cotadas, verificam-se exemplos de liderança no feminino, mas o movimento poderá ser mais lento pela menor exigência em termos legislativos (quando comparado com as cotadas) e por não haver influência de temas relacionados com sucessão”, realça ainda este especialista. Por outro lado, as mulheres nos conselhos estão sobretudo em cargos não administrativos, ou seja, têm influência, fiscalizam, mas não mandam efetivamente. Ainda.

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