E agora, sim, para algo completamente novo. Como vai ser o novo iPhone?

10 Setembro 2017564

É enorme a expectativa em relação ao terceiro modelo, premium, que a Apple vai apresentar esta terça-feira. Eis o que já se sabe (e os rumores mais credíveis) sobre o que se pode esperar do iPhone X.

A norte-americana Apple lança na próxima terça-feira, dia 12 de setembro, os novos modelos do que é considerado o produto mais valioso do mundo, o iPhone. Não é um lançamento qualquer — na verdade, os anúncios de novos smartphones são sempre um evento — mas este ano será especial: foi há 10 anos que Steve Jobs apresentou o primeiro iPhone. Além disso, acusada de inovar pouco nos últimos anos, a Apple parece ter, finalmente, dado um salto significativo na evolução do aparelho e todas as atenções estão viradas para o modelo comemorativo que a empresa deverá apresentar e que poderá custar mais de 1.000 euros.

iPhone 8, iPhone Pro ou iPhone X (segundo a Bloomberg, iPhone X será o nome escolhido). Ainda não se sabe como se irá chamar este modelo de alta gama — por sinal, o nome de código, na fase de desenvolvimento, era “o Ferrari“, mas já foi saindo informação razoavelmente credível sobre o aparelho. A Bloomberg já viu imagens do novo smartphone — calma, calma, não as mostrou — e o relato não podia ser mais intrigante: a Apple quer “mudar a forma como as pessoas usam o iPhone“.

O que é que isto quer dizer, na prática? Várias coisas, a principal é que o botão Home deverá desaparecer, após 10 anos no fundo do ecrã dos sucessivos iPhones. O botão serve para minimizar apps e voltar ao ecrã principal; serve, também, para chamar a assistente pessoal Siri, para saltar de uma app para outra; e, desde há alguns anos, é nesse botão que está instalado o sensor de impressões digitais (que desbloqueia o telemóvel e dá um jeitaço com autenticações várias) — a chamada tecnologia Touch ID.

O Touch ID vai passar a ter um papel secundário — há, até, quem diga que vai desaparecer no iPhone premium — e a principal via para o aparelho saber que está nas mãos do legítimo dono passará a ser… (rufar de tambores…) uma ferramenta de reconhecimento facial. Este princípio tecnológico será novo num dispositivo Apple (os topos de gama de outras marcas já o usam há algum tempo) e, caso venha a substituir o Touch ID pelo “Face ID”, será possível usar o rosto para desbloquear o equipamento, fazer autenticação em aplicações e o preenchimento automático de dados pessoais.

Este é um rumor que vem de há vários meses, sobretudo desde que a Apple registou uma patente de reconhecimento facial. A divulgação (por acidente?) do código interno do HomePod – a nova “coluna” da Apple — veio confirmar, há cerca de um mês, que há planos iminentes para a integração com uma tecnologia de reconhecimento facial em 3D.

Vai ser preciso “reaprender a usar um iPhone”

Uma das mudanças mais óbvias no novo iPhone será a quase eliminação das margens negras à volta do ecrã, os chamados bezel. Como já acontece em alguns dispositivos rivais, cada milímetro da frente do iPhone passa a ser aproveitada para mostrar imagem — exceção apenas para uma tira no centro do telemóvel, em cima, onde ficam os sensores, lentes fotográficas e microfone.

Como vai funcionar o reconhecimento facial na Apple

De acordo com a patente que foi registada pela Apple, um dispositivo de reconhecimento facial – por infra-vermelhos – estará constantemente a analisar o que a rodeia, mesmo quando o telemóvel está “adormecido” (com um pequeno gasto de energia). A tecnologia será capaz de detetar quando o utilizador se aproxima do telemóvel e, nessa altura, irá ligar-se automaticamente.

Mesmo em situações de pouca luz, a tecnologia será capaz de analisar o tom de pele e o formato do rosto (reconhecimento facial em 3D), a par do detetor de movimentos. O objetivo é que o mecanismo seja tão rápido e eficaz quanto é o sensor de impressões digitais presente nos iPhone desde o modelo 5S.

Sem botão Home, é possível que o sensor de impressões digitais deixe de estar na frente do aparelho — mas a Apple também não verá com bons olhos tomar a mesma opção de outras marcas, isto é, colocar o sensor na traseira do telefone. Terá sido debatida a hipótese de colocar o sensor debaixo do ecrã de vidro, invisível, mas não terá sido possível desenvolver, em tempo útil, uma tecnologia eficaz de reconhecimento de impressões digitais através do vidro.

Uma hipótese intrigante é que o Touch ID passe a estar no botão lateral de desligar (on/off), que em algumas imagens que estão a circular aparece bem mais alongado do que estamos habituados. Em alternativa, o Touch ID morre.

Seja como for, o que parece certo é que o reconhecimento facial vai mesmo passar a ser o “ponta-de-lança” e vai ser possível controlar certas funções através de gestos — é neste sentido que apontam os rumores mais insistentes. E é por isso que a Bloomberg concluiu que será necessário “reaprender” a usar um iPhone, muito mais do que qualquer outra das evoluções anteriores. Isto coloca uma grande pressão sobre a ferramenta de reconhecimento facial porque, sobretudo se o Touch ID desaparecer, a tecnologia terá de ser suficientemente rápida e eficaz para que não se fique com a sensação de que se tornou mais difícil ligar e utilizar o telemóvel.

No fundo do ecrã, deverá haver uma fina barra de funções. Será arrastando essa barra para cima que se consegue “acordar” o telemóvel, quando ele estiver em stand by. O mesmo gesto, quando dentro de uma app, permite navegar entre as várias aplicações que estão abertas (multitasking). Segundo a demonstração que foi feita à Bloomberg – supostamente sujeita a mudanças de planos – o sistema operativo foi redesenhado para que as aplicações apareçam como cartas (e não como a fila de aplicações que aparece hoje). Com a apresentação dos novos aparelhos, vem, também, o novo sistema operativo — que se irá chamar iOS 11 e que já se encontra numa fase avançada de desenvolvimento.

Com um novo iPhone, um novo sistema operativo

O novo iOS 11 inclui algumas mudanças de fundo, que serão particularmente visíveis nos iPad. Inclui uma nova “doca” (a barra em baixo), o centro de controlo (que é ativado pelo movimento de baixo para cima) foi redesenhado e inclui a opção de adicionar ou excluir elementos, uma app chamada “Ficheiros” que permite a gestão dos documentos na cloud e novas funções drag and drop. Encontra informações mais detalhadas, em português, nesta página oficial.

A versão “Golden Master” (a versão final de desenvolvimento) do iOS 11 foi “encontrada na Internet” esta semana e, além de confirmar a existência do “Face ID”, sugere que vão ser incluídas melhorias no modo “retrato” da câmara, novos emojis animados em 3D e a inclusão da tecnologia True Tone nos novos ecrãs OLED do iPhone — tecnologia que melhora a qualidade de imagem e que já existe no iPad Pro.

O meu reino por um ecrã OLED

Além deste iPhone edição premium, a Apple deverá “refrescar”, como é hábito, as edições anteriores: o 7 e o 7 Plus. Contudo, rumores surgidos este sábado dão conta que o número 7 pode já nem aparecer — teríamos então o iPhone 8, iPhone 8 Plus e iPhone X.

Aqui, as novidades serão apenas internas, já que os modelos deverão ter um chassis igual às versões anteriores: o 7S (ou 8) continuará a ter apenas uma câmara traseira, ao passo que o 7S Plus ( ou 8 Plus) deverá manter as duas câmaras traseiras do 7 Plus. A inovação do iPhone premium deverá ser a disposição vertical das duas câmaras, que contrasta com o atual alinhamento horizontal das câmaras traseiras no iPhone 7 Plus. Faz mais sentido.

Espera-se que o iPhone X tenha 3 GB de RAM e memória interna de 64, 256 ou 512 GB. O novo processador deverá ser o A11 e será apresentado para os três modelos. A parte traseira do iPhone X deverá ser feita de vidro, para permitir o carregamento sem fios, ou seja, mais uma característica de topo — que poderá estar também nos outros dois modelos.

Já se sabe quase tudo sobre o iPhone (provavelmente)

Ainda se lembra de quando se sabia nada ou quase nada sobre cada novo iPhone? Cada vez menos é assim: há informações credíveis sobre várias características do aparelho a anunciar esta terça-feira. Eis algumas das mais importantes:

  • Vão ser apresentados três telemóveis: dois com ecrã LCD (4,7 e 5,5 polegadas) e um terceiro com ecrã OLED de 5,8 polegadas e sem botão “Home” físico (nem mesmo o sensor háptico do 7/7 Plus.
  • Os dois telemóveis mais baratos, que devem chamar-se 7S e 7S Plus, não devem ter tecnologia de reconhecimento facial.
  • Não haverá modelos com 128 gygabites de memória. Os três telemóveis só vêm equipados com 64, 256 ou 512 GB de memória interna.
  • Os três modelos terão a traseira em vidro para permitir o carregamento sem fios (da bateria), mas para isso será necessário um acessório que pode não vir com o pacote original.

 

Aproveitando cada milímetro da frente, o iPhone X terá um ecrã útil de 5,8 polegadas, o que compara com as 5,5 polegadas do iPhone 7 Plus e as 4,7 polegadas do iPhone 7. Mas só o iPhone mais caro terá um ecrã OLED, a tecnologia que se tem afirmado como a mais cobiçada pelos consumidores e pelas marcas.

Os outros modelos mais baratos vão continuar a ter ecrãs LCD. Porquê? Por uma questão de custos e, simplesmente, porque a Apple não consegue comprar ecrãs OLED em quantidade suficiente. E a quem é que os compra? À rival Samsung, que faz os melhores ecrãs OLED do mundo, domina 95% do mercado e os usa nos seus smartphones.

Ming-Chi Kuo, um analista da firma KGI normalmente muito bem informado sobre a Apple, sublinhou numa nota de investimento recente que a Samsung é o único fornecedor de ecrãs OLED para a Apple, o que a coloca numa posição muito precária para negociar preços mais baixos e faz com que Tim Cook tenha “urgentemente” de encontrar outros fornecedores com qualidade comparável. Há notícias — ainda não confirmadas — de um investimento milionário da Apple numa parceria com a sul-coreana LG para que a Apple deixe de estar na mão da maior rival, a Samsung, para ter ecrãs OLED em quantidades e preços razoáveis.

Cada ecrã OLED que a Apple compra à Samsung para equipar num “Ferrari” custa entre 120 e 130 dólares, quase o triplo do que custa cada ecrã LCD que está nos atuais iPhones. A tecnologia OLED consegue ter melhor eficiência energética, cores mais vívidas e negros mais profundos — mas isso paga-se, e ajuda a perceber porque é que o novo iPhone topo de gama irá custar mais de 1.000 dólares, logo a partir da versão mais básica.

Mais de 1.000 dólares por um smartphone. E então?

Como é que se convence alguém a pagar mais de 1.000 dólares (ou 1.000 euros) por um smartphone? Alguns estudos apontam para uma quebra significativa do interesse dos consumidores quando os aparelhos deixam de estar na gama 800-1.000 dólares e passam para a gama 1.000+. A expectativa de um analista, Mark Moskowitz, do Barclays, é que a Apple possa incluir, gratuitamente com a compra do smartphone, uma ou mais subscrições de serviços da Apple — como armazenamento na iCloud ou música gratuita na Apple Music.

Existe, porém, quem desvalorize esta questão. Isto porque a Apple nunca teve dificuldades em vender os modelos existentes nas versões com maior memória interna, que já superam os 1.000 dólares. Nos dispositivos da Apple, por não aceitarem os vulgares (e baratos) cartões de memória, mais algumas dezenas de gigabytes fazem muita diferença no preço e muitas pessoas já pagaram “quatro dígitos”, por exemplo, pelo iPhone 7 Plus com 128 gigabytes.

Depois de ter estado bem mais equilibrada, a cotação do dólar face ao euro voltou a dilatar-se nos últimos meses e um euro já chega para comprar mais de 1,20 dólares. Como é hábito, teremos de aguardar para que as operadoras na Europa e em Portugal divulguem os seus preços, em euros, para o iPhone — além de eventuais planos de compra. O que parece provável é que o iPhone premium — venha ele a chamar-se 8 ou outra coisa qualquer — não começará a ser distribuído ao mesmo tempo que os outros dois novos modelos. Poderá ser necessário esperar por novembro.

10 anos de iPhone. O que mudou? Tudo

Outras novidades

Na próxima terça-feira deverá ser apresentada a 3ª geração do Apple Watch. Os rumores apontam para a inclusão de tecnologia LTE/4G, para permitir a utilização autónoma do relógio. Contudo, o cartão SIM interno não deverá permitir fazer chamadas, será apenas para dados (para usar os mapas, por exemplo). De resto, o corpo será em tudo semelhante à versão atual, com um novo processador e autonomia da bateria melhorada.

Os AirPods, apresentados no ano passado juntamente com o iPhone 7, deverão receber um update, mas não será mais do que a passagem do indicador de estado da bateria para o lado de fora da caixa — atualmente encontra-se no interior.

No dia 12 deveremos ainda conhecer a nova Apple TV, com tecnologia 4K e HDR. Finalmente, vamos assistir à apresentação final dos novos sistemas operativos iOS 11, macOS High Sierra, watchOS 4 e tvOS 11, bem como as respetivas datas de lançamento.

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