Politicamente Correto

Que Género de Universidade?

Autor
  • Bernardo Serrão Brochado
209

As campanhas da ideologia de género está a destruir o próprio conceito de Universidade ao fazer destas instituições ferramentas de propaganda política em vez de fóruns de liberdade de expressão.

Cada vez mais se ouve falar em ideologia de género, mas muito pouca gente sabe o que é ou acredita que se trata de uma realidade. De facto, dado o caricato da ideologia, mais parece que se trata de uma conspiração.

Aliás, é mesmo por não conhecermos esta ideologia, que ela tem tanto poder. Quanto mais nos convencemos de que as suas premissas se tratam apenas de bom senso, mais nos estamos a deixar influenciar por uma técnica muito bem orquestrada de engenharia social.

Uma ideologia é uma sistematização de pontos em comum em termos de pensamento e acções concretas e é importante sublinhar que podemos estar a promover uma determinada ideologia sem querer. É mesmo neste ponto que as ideologias se tornam perigosas. O problema não está, pois, em termos ideias diferentes, mas em sentirmo-nos obrigados a ter determinadas ideias porque nos parece que é o que toda a gente faz, por ser mais sofisticado ou por qualquer outro motivo que não seja resultado de reflexão ponderada. O séc. XX é, de resto, rico em exemplos do mau resultado que uma postura acrítica em relação a novas ordens mundiais pode ter.

Provavelmente nunca ouviu falar de Lindsay Shepherd. Trata-se de uma estudante de mestrado no Canadá que também dá (dava?) aulas a alunos de licenciatura como professora assistente. Em Novembro passou do anonimato para as manchetes de jornal por ter denunciado publicamente a humilhação de que foi vítima depois de ter mostrado aos seus alunos uma parte de um debate de YouTube sobre a utilização de non-gender pronouns entre dois académicos com visões diferentes sobre o tema.

Aqui é preciso abrir um parêntesis para explicar ao leitor que, apesar de, felizmente, ninguém dar importância em Portugal ao plano para implementar a novilíngua da ideologia de género, no Canadá este é um assunto muito sério que já tomou a forma de lei (Bill C-16). Ou seja, o governo orwelliano de Trudeau, apoiante das liberdades individuais que é, já controla a linguagem que a população deve utilizar, uma vez que alguém que não se identifique com esta ideologia e se recuse a usar os pronomes criados ad hoc para os novos géneros, pode ser acusado de crimes de ódio ou ser obrigado a frequentar formação preconceito (anti-bias training).

Fechado o parêntesis, pelos vistos, as polícias dos costumes no Canadá, não só acabam com a liberdade de expressão (como nos podemos expressar livremente se o governo decide por nós as palavras que podemos utilizar?), como também querem acabar com a possibilidade, sequer, de debater sobre esta imposição tirânica. Foi o que aconteceu com Lindsay, que após ter debatido com alunos universitários os vários pontos de vista que existem na sociedade sobre este tema foi chamada a uma reunião que foi secretamente gravada por ela e está disponível online para que o leitor possa tirar as suas conclusões sobre os métodos grotescos de censura (de deixar a PIDE corada) utilizados contra esta estudante por ter desafiado os alunos a pensarem, em vez de os doutrinar.

Na gravação ouvimos um responsável académico explicar que o problema foi ela ter assumido uma postura neutra, em vez de catequizar os alunos com uma visão facciosa, favorável a uma ideologia que não tem qualquer ligação à realidade. A professora apresenta 5 minutos de debate de YouTube onde são apresentados prós e contras de uma medida do governo do Canadá e é intimidada com acusações de “transfobia”, “violência baseada em género” e “causar dor em alunos transexuais”.

Este caso é só mais um exemplo, depois de tantos outros, como o caso do Dr. Gentil Martins aqui em Portugal, das proporções que esta ideologia está a tomar até no seio da própria Universidade, o sítio onde esperávamos encontrar as condições propícias para debater livremente as diferentes concepções ideológicas. Estaríamos a destruir o próprio conceito de Universidade ao permitirmos que estas se transformem em ferramentas de propaganda política em vez de fóruns de liberdade de expressão. Estaríamos a destruir a Universidade se, em vez de darmos competências aos nossos alunos para analisar criticamente a realidade, os tornarmos reféns de agendas políticas.

Economista

P.S. Tão ou mais grave que a perda de independência das universidades é a doutrinação silenciosa que já está a acontecer no nosso país desde o pré-escolar. Provavelmente sem que os pais saibam disso, o governo quer que ensinem a meninos de 4 e 5 anos que o menino pode ser menina e que a menina pode ser menino.

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