“Muito foi já alcançado, mas há desafios que permanecem” no horizonte. É desta forma que um documento da Comissão Europeia, divulgado na rede social Twitter por Simon O’Connor, porta-voz para os assuntos económicos e financeiros, resume a situação actual de Portugal.

O documento, datado de 15 de Maio, inventaria os motivos que levaram o país a pedir ajuda externa em 2011 e descreve o percurso realizado até agora, Mas, apesar de fazer um balanço positivo, deixa alguns alertas. “O crescimento do produto interno bruto ainda não é robusto e o desemprego é inaceitavelmente elevado”, refere Bruxelas na apresentação em formato “power point”.

A lista de quatro desafios, que leva a Comissão a considerar que Lisboa deve manter um “forte compromisso” na concretização de reformas estruturais e a afirmar que a consolidação orçamental é “essencial”, prossegue com o risco de os elevados níveis de endividamento poderem vir a afetar Portugal no caso de suceder uma “inversão” no atual sentimento dos mercados de obrigações.

No setor da banca, Bruxelas revela preocupação com o nível alto de endividamento das empresas e com a persistência do crédito malparado nas carteiras dos bancos, problemas que prejudicam a rendibilidade e o crescimento do setor. A Comissão receia, também, que o ímpeto reformador do Governo tenha desacelerado em “áreas chave”, embora não as identifique.

Num capítulo dedicado aos principais objetivos cumpridos durante o programa de ajustamento económico e financeiro (PAEF), o documento sublinha a recuperação registada na atividade económica, a redução das taxas de juro da dívida pública para níveis anteriores à eclosão da crise, a transição para um modelo de crescimento baseado nas exportações e a melhoria da competitividade.

Os elogios incluem, também, o registo de saldos externos positivos e a diminuição do saldo negativo das contas públicas, embora seja reconhecido que a dívida pública é “elevada”, mas “sustentável”. Na banca, Bruxelas vê progressos na solidez dos capitais e na relação entre depósitos recolhidos e crédito concedido.

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