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O presidente do CDS, Paulo Portas, pediu aos dirigentes do partido contenção sobre a situação interna no PS, que vive dias de tensão com a anunciada disponibilidade de António Costa em candidatar-se ao lugar de António José Seguro.

Na reunião da comissão política do partido, terça-feira à noite, Portas, que é vice-primeiro-ministro e que tem sido pivot do Governo no relacionamento com o maior partido da oposição em algumas matérias, defendeu que o CDS não faça qualquer “interferência” na vida interna do PS. Por outro lado, entre a maioria Seguro é visto como um adversário mais fraco, em legislativas, do que António Costa.

Este aviso surgiu já depois do ataque de Nuno Melo, eleito eurodeputado no domingo, a Costa. Poucas hora depois do anúncio de disponibilidade do socialista, Melo escrevia no Facebook: “A candidatura de António Costa significa o regresso do PS de 2011, em todo o seu esplendor. Nos governos passados, foi braço direito e validou tudo de Sócrates. Nas europeias, fez o que podia para a vida correr mal a Seguro. E agora que tudo se conjugou como quis, apresenta-se como o salvador disponível para juntar os cacos. Extraordinário…”.

Nessa reunião, que serviu para análise dos resultados das eleições europeias, Portas admitiu que o resultado da coligação PSD-CDS Aliança Portugal foi “historicamente baixo” e que o partido tem que reconquistar o eleitorado perdido.

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O coordenador de campanha do CDS, Michael Seufert, fez o balanço dos resultados distrito a distrito, concluindo que o eleitorado do CDS absteve-se e que não houve transferência dos votos para o PS.

Portas, que fez um discurso inicial e terminou a reunião com uma intervenção de síntese, mostrou preocupação com a dispersão de votos, que colocou Portugal numa situação parecida com a restante Europa (em que cresceram os partidos mais pequenos).

A discussão sobre uma aliança PSD-CDS nas legislativas não foi, para já, o tema principal. Segundo relatos feitos ao Observador, contudo, houve alguns dirigentes a pedir “uma melhor comunicação da postura democrata-cristã” e “do lado solidário do CDS”.

No final da reunião, a deputada Cecília Meireles falou aos jornalistas e admitiu o resultado “historicamente baixo” da coligação, considerando que o partido tem de “reconhecer isso com humildade democrática”. “A nossa prioridade nos próximos meses e próximos tempos tem de ser reganhar e recuperar a confiança dos eleitores abstencionistas”, sublinhou a deputada do CDS-PP, citada pela Lusa.

“O CDS considera ainda muito relevante o trabalho político que permita, neste inicio do pós-troika, mobilizar para o campo da maioria a classe média, os setores mais dinâmicos da sociedade e as novas gerações, porque nisso vemos a garantia de um Estado que não pode ser financeiramente irresponsável, mas também o fomento de um ciclo de crescimento económico mais forte e de criação de emprego mais acentuada”, refere o comunicado final da reunião.

O CDS reunirá na segunda um conselho nacional extraordinário (órgão máximo entre congressos) para fazer o debate dos resultados das europeias. A Aliança Portugal obteve 27,7% dos votos e o PS 31,4 %.