Os juros da dívida de Portugal estavam esta manhã de terça-feira a descer a dois anos e a subir nos prazos mais longos, depois do “chumbo” do Tribunal Constitucional e ao contrário dos juros da Irlanda, Itália e de Espanha.

Às 08:35 de hoje, os juros a 10 anos estavam a 3,671%, depois de terem terminado a 3,665% na segunda-feira e de terem descido a 08 de maio até aos 3,460%, um mínimo desde fevereiro de 2006.

A cinco anos, os juros também estavam a subir para 2,630%, contra os 2,629% do encerramento de segunda-feira e o mínimo de sempre de 2,274% a 08 de maio.

No prazo de dois anos, os juros da dívida estavam a descer para 1,150%, depois de terem fechado a 1,155% na segunda-feira e de terem descido a 08 de maio até ao mínimo de sempre de 1,047%.

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Na sexta-feira, o TC chumbou três dos quatro artigos do Orçamento do Estado para 2014 em análise, incluindo os cortes dos salários dos funcionários públicos acima dos 675 euros.

No entanto, em relação a este artigo os juízes determinaram que os efeitos do chumbo se produzem “à data do presente acórdão”, ou seja, sem efeitos retroativos.

Os juízes consideraram ainda inconstitucional o artigo 115.º, que aplica taxas de 5% sobre o subsídio de doença e de 6% sobre o subsídio de desemprego, e o artigo 117.º, que altera o cálculo das pensões de sobrevivência.

A decisão foi votada por 10 dos 13 juízes do TC.

A 17 de maio, Portugal abandonou oficialmente o plano de ajustamento sem qualquer programa cautelar, depois de o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, ter anunciado a “saída limpa” a 04 de maio, numa comunicação ao país transmitida pelas televisões.

O programa de ajustamento solicitado à ‘troika’ (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), no valor de 78 mil milhões de euros, esteve em vigor durante cerca de três anos.

Os juros da dívida soberana da Irlanda estavam hoje a descer em todos os prazos.

Dublin terminou oficialmente, a 15 de dezembro passado, o programa de ajustamento solicitado em 2010 à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional (FMI), no valor de 85 mil milhões de euros.

Os juros da Itália e de Espanha também estavam a descer em todos os prazos.

Em sentido contrário, os juros da dívida da Grécia a 10 anos, o único prazo disponível daquele país, estavam a subir.

Juros da dívida soberana em Portugal, Grécia, Irlanda, Itália e Espanha cerca das 08:35:

2 anos… 5 anos… 10 anos

Portugal

03/06….. 1,150……2,630….3,671

02/06….. 1,155……2,629….3,665

Grécia

03/06….. n disp…n disp…..6,257

02/06….. n disp…n disp…..6,252

Irlanda

03/06……0,438……1,144….2,572

02/06……0,449……1,156….2,582

Itália

03/06……0,751……1,662……2,957

02/06……0,763……1,674….2,965

Espanha

03/06……0,691……1,523….2,836

02/06……0,708……1,531….2,848

Fonte: Bloomberg Valores de ‘bid’ (juros exigidos pelos investidores para comprarem dívida) que compara com fecho da última sessão.

MC // ARA

Lusa/Fim