Os serviços consulares estão a acompanhar três casos de crianças retiradas aos pais portugueses em Inglaterra, mas o secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, acredita que existam muitos mais. “Se a criança tiver nacionalidade local, os serviços não nos contactam”, afirma. Um dos casos foi dado a conhecer pelo jornal Público esta sexta-feira: uma bebé de cinco meses foi retirada à mãe, uma portuguesa de 29 anos, depois de ela a ter levado ao hospital na sequência de uma queda da cadeirinha. Tudo aconteceu no início de Maio.

“Nestes países há uma ação preventiva dos serviços sociais que não existe na generalidade dos países do sul. Sempre que há suspeitas, a criança é imediatamente levada”, diz ao Observador José Cesário. “Temos conhecimento de, pelo menos, três casos. Mas acreditam que existam mais”, diz José Cesário.

Terá sido o que aconteceu à portuguesa que agora enfrenta um processo no Reino Unido. A bebé de cinco meses terá caído de uma cadeirinha de embalar quando estava em casa. Sofreu um hematoma na cabeça. A mãe levou-a imediatamente ao hospital de Southend-o-Sea, nos arredores de Londres. E os médicos alertaram os serviços sociais e a polícia local, que abriram um processo contra ela por suspeita de agressão.

A bebé foi entregue a uma família de acolhimento, responsável por 50% do poder paternal. A restante responsabilidade terá sido dividida entre o pai, inglês, e a mãe – que se encontram separados. Quando o pai soube que a bebé lhes tinha sido retirada foi, segundo o jornal Público, internado numa clínica psiquiátrica. Apesar de separado, o casal mantinha uma boa relação e ele era visita assídua.

José Cesário explica que o sistema inglês opta sempre por prevenir de imediato uma possível reincidência. Ou seja, que a criança seja alvo de maus tratos. “Só depois fazem a investigação. Pode ser chocante para alguns, mas é verdade que se previnem muitas situações de risco. É criticável mas tem de ser compreendido”. E lembra que, em Portugal, “é frequente os pais darem um puxão de orelhas nos filhos”, mas que em Inglaterra um comportamento semelhante pode resultar “num problema sério”.

Em Março, um casal português, a quem os serviços sociais tinham retirado os cinco filhos, foi detido por suspeitas de estarem a planear raptar as crianças. O processo tinha começado em 2013.