António Vitorino falava na sessão de apresentação do livro “Jorge Coelho, o todo-poderoso”, da autoria do jornalista Fernando Esteves e editado pela “Esfera dos livros”, numa sessão em que Jorge Coelho se sentou na última fila da plateia e em que não esteve presente qualquer dirigente do PS.

O ex-comissário europeu salientou o caráter “difícil” de apresentar uma biografia não autorizada de “um amigo pessoal” e concordou com o teor global do livro escrito por Fernando Esteves. “Jorge Coelho é, de facto, um homem de poder no partido, no Estado e na vida empresarial. O que faz o poder de um homem é o seu caráter e a sua força”, completou o antigo juiz do Tribunal Constitucional e ex-ministro do primeiro Governo liderado por António Guterres, tal como Jorge Coelho.

António Vitorino defendeu a tese de que a compreensão do chamado “guterrismo” é inseparável da análise à ação política de Jorge Coelho e observou que o biografado continua a ter “uma relação de empatia fora do comum” com as bases socialistas. “De todos os dirigentes do PS, depois de Mário Soares, Jorge Coelho é de longe o mais carismático”, advogou António Vitorino.

Neste contexto, Vitorino previu que, a curto ou médio prazo, Jorge Coelho irá regressar à vida política. “Este livro do jornalista Fernando Esteves merecia ter uma segunda edição, tendo como título ‘o regresso do filho pródigo'”, referiu o ex-comissário europeu.

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Já o autor da biografia não autorizada salientou as dificuldades e as hesitações que teve no processo de elaboração do livro, dizendo que chegou a colocar a hipótese de não o editar. Depois, revelou que Jorge Coelho apenas na quarta-feira à noite aceitou estar presente na sessão de apresentação do livro.

“Entreguei-lhe o livro antes de sair. Sei que não se sentiu totalmente confortável com ele, mas também não era suposto que ficasse. Mas Jorge Coelho é uma pessoa que convive bem com a crítica e com opiniões diferentes”, disse Fernando Esteves.