A manifestação organizada pela Associação de Municípios da Região de Setúbal contou com a presença de cidadãos dos nove municípios da Península de Setúbal: Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal.

Em causa está a portaria 82/2014 aprovada pelo Governo e que motivará a perda de valências nos hospitais do Barreiro-Montijo e de Setúbal, levando à sobrelotação do Hospital Garcia de Orta, em Almada.

Segundo o presidente da Associação de Municípios da Região de Setúbal, Rui Garcia, a prevista reorganização dos serviços hospitalares só pode significar para a região “mais um empobrecimento dos serviços prestados pelo serviço nacional de saúde”.

“Tudo isto significa para a nossa população – estamos a falar de mais de 700 mil pessoas que vivem na região de Península de Setúbal – um distanciamento maior em relação aos cuidados hospitalares, um acréscimo de dificuldades de acesso e a perda efetiva de serviços que são fundamentais para qualquer sociedade desenvolvida”, acrescentou o presidente.

Para Rui Garcia, “os hospitais tem todas as condições do ponto de vista físico e de equipamento para continuar a prestar os serviços, desde que sejam dotados dos recursos humanos necessários e desde que haja um investimento, designadamente na construção do Hospital do Seixal, que é indispensável para uma melhor distribuição da prestação de cuidados na região de Setúbal”.

Em frente ao Ministério da Saúde, os manifestantes gritavam “A saúde é um direito, sem ela nada feito” e “Queremos um hospital no concelho do Seixal”.

A Câmara Municipal do Seixal, à semelhança de outros municípios, disponibilizou dois autocarros para que a população se deslocasse até Lisboa.

A gritar pela construção do hospital no Seixal, Fernando Tavares, com 81 anos e residente no Seixal, afirmou que a população está à espera “já há tantos anos”.

Fernando Tavares queixa-se do tempo de espera quando tem que recorrer ao Hospital Garcia de Orta. “Às vezes estamos lá uma noite inteira para sermos atendidos, já entrei lá às oito e meia da noite e saí às nove e meia da manhã. Já não tem condições para atender tanta gente”, lamentou.

Maria Santos, de 67 anos, também residente no Seixal, estava hoje a participar na manifestação pela melhor qualidade dos serviços de saúde, referindo que há mais de dois anos que está à espera para ser operada à vista esquerda.

“Fui a uma consulta de oftalmologia no Hospital Garcia de Orta, onde me disseram que isto de facto é urgente, é para operar, mas mandaram-me ir para casa, que depois me contactavam. Já passaram 14 meses e ainda não me disseram nada”, lamentou.

Também presente, como forma de “solidariedade à população da Península de Setúbal” esteve a deputada do PCP Paula Macedo e Joaquim Correia, representante do partido Os Verdes.

“As populações da Península de Setúbal, à semelhança do país, têm sentido bastante os efeitos e as consequências desta política, do desinvestimento do Governo nos serviços públicos de saúde com os cortes orçamentais, da carência de profissionais de saúde para dar resposta aos utentes. A questão também tem a ver com a entrega de cada vez mais de serviços para entidades privadas, mas também os custos da saúde com o aumento das taxas moderadoras”, disse Paula Macedo.

Durante a manifestação, os nove representantes dos municípios da Península de Setúbal entregaram no ministério um pedido de reunião a fim de ser discutida a revogação da portaria n.º 82/2014.

A portaria visa reorganizar toda a oferta hospitalar nacional, sendo que, para os hospitais pertencentes ao Grupo I, o mais baixo do conjunto de grupos, existem valências hospitalares que apenas serão viáveis se houver um número mínimo de população servida e se existir disponibilidade de recursos humanos.