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Letizia Ortiz tem sido a cara e a voz de Espanha no combate às doenças raras, aquelas que afetam menos de uma em cada 2 mil pessoas. Esta segunda-feira, a rainha encontra-se com Paula Costa, presidente da Federação de Doenças Raras de Portugal (Fedra) na Presidência da República,  juntamente com Maria Cavaco Silva, primeira-dama portuguesa. O encontro decorre no âmbito da primeira visita oficial de Felipe VI ao país.

O convite veio de Espanha e apanhou Paula Costa de surpresa. “Não estava à espera, porque a visita dos reis é uma visita de apresentação e não é habitual que estes encontros aconteçam”, explicou ao Observador. A presidente da Fedra conta que ficou “muito satisfeita” com a notícia, porque a rainha está a fazer um “fantástico trabalho” em Espanha, juntamente com a Federação Espanhola das Doenças Raras (Feder).

Desde 2006, que a então princesa e agora rainha tem uma agenda própria de trabalho, focada no campo da educação, cultura e nos direitos das crianças. A notícia surgiu quando a ex-jornalista estava grávida da segunda filha, Sofia de Bourbon e Ortiz, pouco tempo antes da sua irmã mais nova, Érika Ortiz Rocasolano, ter sido encontrada morta em casa.

Três anos depois, a jornalista que virou rainha, abraçava a causa que Paula Costa subscreve desde 2008 e começava a colaborar com a Federação Espanhola das Doenças Raras (Feder). A luta levou-a ser “presidente de honra” da Feder e a liderar diversas iniciativas que pretendem contribuir para o fim do estigma social.

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“As doenças raras vão para a escola com Federito” conta a história de um trevo de quatro folhas, símbolo de sorte, que é discriminado no jardim em que vive.

A 30 de Abril, cerca de mês e meio antes de vir a ser coroada rainha, a ainda Princesa das Astúrias esteve num colégio público madrileno a sensibilizar as crianças para a necessidade de integrar os colegas que sofrem de uma destas doenças com normalidade.

A iniciativa foi da Feder, dentro do projeto educativo “As doenças raras vão para a escola com Federito”. Letizia assistiu à leitura de um conto sobre um trevo de quatro folhas que era discriminado no seu jardim, entre os 25 alunos da turma do segundo ano. Um deles sofria de uma das doenças que a associação queria dar a conhecer.

Para Alba Ancochea, vicepresidente da Feder, a presença de Letizia é “determinante” para dar a conhecer este tipo de situações, diz num artigo publicado na imprensa espanhola.

MADRID, SPAIN - AUGUST 19:  Princess Letizia of Spain (C) and her daugthers Princess Leonor of Spain (L) and Princess Sofia of Spain receive Pope Benedict XVI at Zarzuela Palace on August 19, 2011 in Madrid, Spain. Initiated by Pope John Paul II in 1985, World Youth Day youth-oriented events for the celebration of the Catholic faith are held every three years in a different country; this time in Madrid from August 16th to 21st, with Pope Benedict XVI in attendance.  (Photo by Carlos Alvarez/Getty Images)

A rainha de Espanha com as filhas, a princesa Leonor, de 8 anos e Sofia, de 7 anos.

As lutas da jornalista rainha não se ficam por aqui. O combate às doenças cancerígenas, o apoio ao estudo e à formação profissional, a promoção da leitura e a aquisição de hábitos saudáveis e o compromsiso que estabeleceu com as Forças Armadas têm sido outras das prioridades da mãe das princesas Leonor, 8 anos, e Sofia, 7 anos.

Desde 2007, que a agenda da rainha se tem vindo a distanciar da de Felipe e, apesar de a monarquia espanhola não reservar um papel constitucional para a detentora da coroa, espera-se agora que Letizia represente o país em eventos internacionais.

Nos dez anos em que viveu sob o título de Princesa das Astúrias, Letizia Ortiz visitou sozinha todas as comunidades autónomas, recebeu 2.100 pessoas representantes de todos os âmbitos da vida espanhola, assistiu a 190 actos oficiais sozinha e a 1.500 com Felipe. O casal visitou junto 38 países.