A Amnistia Internacional (AI) advertiu esta quarta-feira que a política migratória dos países da UE põe em risco a vida e os direitos dos refugiados.

Em comunicado, a organização de defesa dos direitos humanos, com sede em Londres, sublinha que a política de imigração e o forte controlo das fronteiras impedem os refugiados de acederem à UE.

As medidas comunitárias “são questionáveis” e o custo em termos de vidas humanas “é incalculável”, declarou o diretor do Programa para a Europa e Ásia Central da AI, John Dalhuisen.

O controlo das fronteiras implica custos multimilionários para os Estados-membros, que investem todos os anos em sistemas de vigilância sofisticados, de acordo com o relatório da AI, intitulado “O custo humano da fronteira na Europa: As violações dos direitos humanos de migrantes e refugiados nas fronteiras europeias”.

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A AI indica que a UE gastou quase dois mil milhões de euros na proteção das fronteiras externas entre 2007 e no ano passado e 700 milhões de euros para melhorar a situação dos requerentes de asilo já dentro das fronteiras comunitárias, no mesmo período de tempo.

A organização denuncia que os países da UE cooperam e financiam países vizinhos, como a Turquia, Marrocos e Líbia, para impedir que os refugiados cheguem à Europa.

“Basicamente, os países da UE pagam aos países vizinhos para que vigiem por eles as suas fronteiras”, afirmou Dalhuisen. O problema é que estes países não podem, por vezes, garantir os direitos dos refugiados, acrescentou.

De acordo com o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, o número de deslocados é atualmente o mais elevado desde o final da Segunda Guerra Mundial, sublinhou.

A AI acrescenta que perto de metade dos refugiados, que procuram entrar na UE, foge do conflito ou de perseguições em países como a Síria, Afeganistão, Eritreia ou Somália.

Dados os obstáculos existentes no caminho para a Europa, os refugiados escolhem a maneira mais perigosa de atingir o objetivo, fazendo o trajeto por mar, até à Grécia ou Itália, sublinha a organização.