São cerca de 47 mil as pessoas que procuram refúgio nos 43 abrigos da Organização das Nações Unidas (ONU), avançou o organização. O número mais que duplicou desde sexta-feira passada.

A 11 de junho, 22 mil pessoas procuravam refúgio nos abrigos da ONU, afirmou Christopher Gunner, porta-voz da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA).

Quarenta e quatro palestinianos foram mortos esta sexta-feira, segundo fontes médicas. A fuga dos palestinianos começou depois de Israel ter começado a invasão terrestre em Gaza, com os militantes do Hamas na mira. Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita, avançou que seria uma “expansão significativa” da ofensiva. O Hamas revelou que Israel vai pagar um “preço elevado” pela invasão.

Sobre a ofensiva, Barack Obama disse esta sexta-feira que chamou a atenção de Benjamin Netanyahu para as vítimas civis e que Israel tem direito a defender-se.

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“Nenhuma nação deve aceitar que sejam lançados rockets às suas fronteiras ou que os terroristas cavem túneis no seu território”, anunciou Barack Obama na conferência de imprensa na Casa Branca, acrescentando que o secretário de Estado John Kerry está preparado para viajar para a região.

“Também deixei claro que os Estados Unidos e os nossos amigos e aliados estão profundamente preocupados com os riscos de agravamento [da situação] e com a perda de mais vidas inocentes”, referiu o presidente.

Barack Obama diz ter esperança que Israel continue a agir de forma a minimizar a morte de civis.

Apesar de os EUA apoiarem os esforços militares de Israel para garantir que não são lançados mais rockets para o seu território, Obama afirmou que entende que as operações militares terrestres em curso estão desenhadas para lidar com os túneis. “Temos esperança que Israel continue a abordar este processo de forma a minimizar as mortes de civis”, referiu.

Na quinta-feira, a administração de Barack Obama já tinha acusado Israel de não ter feito tudo o que podia para evitar as mortes de civis em Gaza. “De partir o coração”, foi a expressão utilizada pelo Departamento de Estado norte-americano para descrever o número de mortos causados pela ofensiva de Israel à Faixa de Gaza.

Desde 8 de julho, morreram 285 palestinianos

Morreram 285 palestinianos em Gaza desde que começou a operação israelita, a 8 de julho. Pelo menos 2.200 palestinianos ficaram feridos. Do lado israelita, a morte de um soldado, de 20 anos, é a primeira ocorrida entre as tropas. E, segundo o The Times of Israel, até pode ter sido devida a um acidente.

Entre os últimos palestinianos mortos estão cinco membros de uma família, que inclui uma criança, no norte da Faixa de Gaza Beit Hanun, disse o porta-voz dos serviços de emergência Ashraf al-Qudra. Os bombardeamentos no leste da Cidade de Gaza mataram quatro crianças, acrescentou o porta-voz.

Os civis representam mais de 80 por cento das vítimas da ofensiva israelita, segundo dados do Centro Palestiniano para os Direitos Humanos em Gaza, avançados pela agência Lusa.

Israel quer atingir “túneis de terror”

Israel iniciou a ofensiva militar terrestre à Faixa de Gaza na quinta-feira à noite. O primeiro-ministro e ministro da defesa instruíram o exército daquele país para avançar com a manobra militar, com o intuito de atingir os “túneis de terror” que ligam Gaza e Israel, nos subúrbios de Rafah, Younis e Gaza City.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, emitiu um comunicado onde afirmou que o país só partia para uma ofensiva terrestre por se “terem esgotado todas as outras opções” e que está preparado para uma “expansão significativa da operação”. O Papa Francisco telefonou a Mahmud Abbas e Shimon Perez, respetivamente presidente da autoridade palestiniana e presidente israelita, para pedir a ambos os líderes um cessar-fogo imediato, avançou a AFP.

Depois de ter alertado as populações para abandonar os locais -no que foram contrariados pelos militantes palestinianos -, o exército israelita conduziu bombardeamentos seguidos de uma invasão terrestre.