Os serviços secretos alemães escutaram pelo menos uma conversa telefónica do secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, escreve este sábado o semanário alemão Der Spiegel. Na sexta-feira, outros meios de comunicação do país tinham revelado que a antecessora de Kerry, Hillary Clinton, também tinha sido alvo de escutas.

Kerry terá sido escutado em 2013 quando os serviços de espionagem alemães intercetaram uma conversa sua através da rede de escutas que têm no Médio Oriente.

O diário Süddeutsche Zeitung (SZ) e as estações públicas regionais de rádio e televisão NDR e WDR basearam-se em documentos fornecidos à CIA (agência norte-americana de serviços secretos externos) por um espião da BND, a agência alemã de informações. Nesses documentos estará a indicação de que a espionagem alemã intercetou por erro uma conversa telefónica entre Hillary Clinton e Kofi Annan quando a antiga secretária de Estado se encontrava num avião do Governo norte-americano.

O SZ e a NDR especializaram-se nos últimos meses em revelações sobre espionagem feita entre as grandes potências.

Mas a espionagem de figuras políticas norte-americanas “não será um caso isolado”, afirmam o SZ, a WDR e a NRD, segundo os quais os serviços secretos alemães foram também mandatados pelo Governo alemão para “espiar um parceiro da NATO”, mas não precisam qual.

As revelações, no ano passado, das escutas ao telefone da chanceler alemã, Angela Merkel, pelos serviços secretos norte-americanos chocaram profundamente a Alemanha e ensombram ainda hoje a relação entre os dois países, tradicionalmente muito forte.