Surpreendidos com a dimensão da derrota de António José Seguro, os apoiantes começam a dividir-se sobre o que fazer no futuro imediato. Álvaro Beleza pondera candidatura nas diretas. Ricardo Gonçalves defende a apresentação de uma moção ao congresso, para “clarificar dúvidas ideológicas”. Mota Andrade considera “expressiva” a vitória de Costa e, por isso, o partido deve ficar “unido”, rejeitando quaisquer atos de fação. João Soares diz que uma candidatura contra António Costa deve estar fora de causa.

Em declarações à Antena 1, Beleza, o principal ideólogo das diretas e apoiante de Seguro, garante estar disponível para defender o seu programa político e disse estar a ponderar uma eventual candidatura nas diretas para a eleição do secretário-geral em novembro. “Não estou a dizer o que é que vou fazer, porque recebi muitos telefonemas, tenho falado com muitos camaradas, vou estar com alguns. É preciso ter aqui bom senso, sentido de responsabilidade e sentido patriótico”, afirmou.

“O candidato a primeiro-ministro não pode ser o dono disto tudo”, afirma ao Observador o ex-deputado Ricardo Gonçalves, defendendo a apresentação de uma moção ao congresso. “O partido precisa de fazer um debate ideológico”, defende. No fundo, este apoiante de Seguro quer discutir questões como alianças de governação ou a reforma do Estado, criticando Costa por não ser claro sobre estes pontos.

“Defender, no séc. XXI, um acordo com o PCP é um retrocesso brutal, uma irresponsabilidade total. O congresso fundador do PS em dezembro de 1974 foi contra o totalitarismo comunista”, diz. Por outro lado, defende que “a atual Constituição não é compatível com o projeto do euro”. Segundo Gonçalves, o momento deve ser para os seguristas tornarem-se numa espécie de “grupo de reflexão”.

Outros apoiantes de Seguro são mais contidos. Ao Observador, o deputado e vice-presidente da bancada parlamentar, Mota Andrade, afirmou que o momento agora “é de união” no PS e rejeitou a apresentação de qualquer moção ao congresso por parte da ala segurista. João Soares, por seu lado, afastou esta segunda-feira no Fórum da TSF a hipótese de um candidato opositor a Costa nas diretas, que deverão ser em novembro. “Não me parece que isso faça alguma espécie de sentido”.

Há algumas semanas, os apoiantes de Seguro equacionavam a possibilidade poderem avançar com uma candidatura às diretas, mas perante a vitória esmagadora de Costa esse desejo dissipou-se.