A regra vem de Bruxelas e consta no Pacto de Estabilidade. Cada país da União Europeia não pode ultrapassar os 3% de défice. Duas das maiores economias europeias pisaram o risco e anunciaram que não vão conseguir cumprir. Pedem tempo para recuperar.

Paris já avisou que o défice vai chegar a 4,3% do produto interno bruto (PIB) em 2015 e que só baixará dos 3%, fixados como meta de acordo com as regras de disciplina orçamental em vigor na zona euro, dois anos depois. Itália seguirá um trilho semelhante, incapaz de cumprir as normas fixadas para o controlo das finanças públicas. O défice de 2015 será 2,8%, em vez dos 1,8% previstos.

Consequência? François Hollande e Matteo Renzi, líderes francês e italiano, estão a aumentar a pressão sobre os parceiros europeus, sobretudo a Comissão Europeia e a Alemanha, para flexibilizar as regras: querem mais tempo para reconduzir os desequilíbrios aos níveis que estão estabelecidos nos tratados europeus, de forma a arranjarem folga para dar ânimo a economias anémicas.

Acordado com Bruxelas, no âmbito pacto de estabilidade, é que França baixaria o défice para menos de 3% já no próximo ano. Michel Sapin, defendeu hoje a sua dama, os cortes na despesa pública França atingirão 50 mil milhões de euros nos próximos três anos, dos quais 21 mil milhões em 2015.

Angela Merkel não parece ter vontade de se mostrar condescendente. “É importante agora que todos cumpram os seus compromissos e obrigações de uma maneira credível. Isto só pode ser feito pelos próprios Estados membros”, disse a chanceler alemã, citada pelo Financial Times.

Bons exemplos? Para Günther Oettinger, novo comissário europeu da Energia e membro dos conservadores que fazem aliança com Merkel na Alemanha, afirmou que “alemães, holandeses, finlandeses e bálticos não estão sozinhos na avaliação severa que fazem do orçamento francês”. E juntou que “gregos, irlandeses portugueses, cipriotas e espanhóis estão muito mais duros” relativamente a eventuais alívios na aplicação de regras.