Uma mulher muçulmana, com a cara tapada por um lenço muçulmano (“niqab”), sentou-se na primeira fila da Opéra Bastille para assistir a uma representação da ópera La Traviata. Momentos depois do início do espetáculo, quando se aperceberam de que havia alguém com a cara tapada na plateia, os artistas pararam de cantar, em protesto. Foi pedido à mulher, descrita como “uma turista originária de um estado do Golfo”, que abandonasse a sala. O que acabou por acontecer.

O incidente terá ocorrido há várias semanas, a 3 de outubro, mas a imprensa francesa só o noticiou no domingo, dia 19. Foi o diretor-adjunto da companhia de ópera, Jean-Philippe Thiellay, que contou que “os atores não quiseram continuar a cantar” quando repararam que a mulher usava um lenço cuja utilização em público foi proibida em França, em 2011. O lenço cobre todo o rosto, pescoço e peito, deixando apenas descobertos os olhos.

Interrompido o espetáculo, um funcionário da Opéra Bastille dirigiu-se à mulher, que estava acompanhada por um homem. “Explicou-lhe que em França há uma proibição sobre esta questão, pedindo-lhe que destapasse a cara ou que abandonasse o local”, conta Jean-Philippe Thiellay, citado pelo The Telegraph. “O homem pediu à mulher que se levantasse e saíram”, acrescenta o diretor-adjunto da Opéra Bastille.

“É sempre desagradável pedir a alguém para sair. Mas houve uma falha de entendimento da lei e a senhora tinha de respeitar [a lei] ou sair”, nota Jean-Philippe Thiellay. A utilização deste tipo de adereços é proibida em França desde 2011, uma lei que recebeu parecer favorável do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

Quem usar estes lenços pode ser alvo de uma multa até 150 euros e ser obrigada a ter aulas de cidadania. Já quem obrigar outra pessoa a tapar a cara pode ser multado em até 30 mil euros, ou o dobro desse valor caso a mulher tenha idade inferior a 18 anos.