O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, manifestou esta terça-feira o empenho de Portugal na conclusão do acordo de comércio livre entre a União Europeia e o Japão e sublinhou que as relações bilaterais têm “espaço para crescer”.

“Portugal acredita que o acordo de comércio livre União Europeia-Japão vai trazer benefícios substanciais para a economia europeia e os seus cidadãos, bem como para países terceiros, abrindo novas oportunidades de exportação, reduzindo custos e preços ao consumidor, aumentando a possibilidade de escolha e a qualidade, e criando novos empregos”, declarou o governante.

Rui Machete falava na abertura do colóquio “Cooperação entre Japão, Portugal e União Europeia: Fortalecendo as fundações para os desafios de amanhã”, que decorre hoje no Palácio das Necessidades, em Lisboa, e que conta com a presença do embaixador japonês em Portugal, Hiroshi Azuma.

O Governo português, disse, está “profundamente empenhado na conclusão mais breve possível de uma ambiciosa parceria estratégica entre a União Europeia e o Japão”.

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O acordo, cujas negociações decorrem desde março do ano passado e estão agora numa “fase crucial”, pretende eliminar barreiras comerciais, facilitar o comércio e fortalecer laços comerciais, sendo a indústria pesada e a agricultura as áreas de maior interesse, mencionou.

Rui Machete apontou vantagens deste acordo, em particular para as pequenas e médias empresas, e referiu estudos que apontam para um aumento de 0,75% do produto interno bruto europeu e a criação de mais de 400 mil postos de trabalho, “com benefícios semelhantes para o Japão”.

Por outro lado, as exportações da Europa poderão aumentar até 32,7%, enquanto as importações de bens japoneses poderão crescer até 23,5%.

Na sua intervenção, o chefe da diplomacia portuguesa abordou ainda as relações entre Lisboa e Tóquio, que, defendeu, “têm claramente espaço para crescer”.

“Apesar da sólida relação histórica, cultural e institucional entre as duas nações, atualmente o Japão ocupa um lugar modesto entre os parceiros comerciais de Portugal e o nosso comércio bilateral ainda está num nível relativamente baixo”, disse, sublinhando no entanto que esta realidade está a “mudar rapidamente, com o mercado japonês a oferecer oportunidades excelentes para negócios portugueses”.

O ministro sublinhou ainda que é possível aprofundar a cooperação, “explorando caminhos para desenvolver as relações existentes entre Portugal e Japão”, sugerindo as fundações para uma “plataforma bilateral para trocas académicas, culturais, científicas e económicas”.