O novo presidente da China Three Gorges (CTG), Lu Chun, foi hoje recebido pelo Presidente da República, Cavaco Silva, no Palácio de Belém, numa audição que demorou cerca de 45 minutos.

De visita a Portugal, desde o início da semana, Lu Chun, que assumiu em março a presidência da CTG, principal acionista da EDP, com 21,35% do capital, escusou-se a falar aos jornalistas à chegada e à saída do Palácio de Belém.

Na segunda-feira, o presidente da CTG esteve na inauguração das instalações do New Energy World (NEW), que assinala o arranque da cooperação tecnológica da EDP com a CTG anunciada no início do ano.

O novo centro, instalado em Sacavém, vai “dedicar-se à investigação nas novas energias, assistência técnica mútua, apoiando ainda a participação conjunta em projetos internacionais desenvolvidos por outras entidades”, anunciou em comunicado a elétrica liderada por António Mexia.

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Segundo fonte oficial da CTG, as duas empresas assinaram ainda um acordo que prevê o reforço da cooperação além fronteiras, com a criação de uma nova participada para conceber, construir e operar barragens em África e na América Latina.

“Esta parceria permite criar uma nova empresa participada em 50% por cada uma das empresas, que será localizada em Macau, e deverá candidatar-se a oportunidades do mercado global de energia que possam ser satisfeitas com a conceção, construção e operação de pequenos e médios projetos hidrelétricos”, adiantou a mesma fonte à Lusa.

Lu Chun assumiu a liderança da CTG em março, depois de inspetores da Comissão Central de Disciplina do Partido Comunista Chinês terem detetado “irregularidades” na gestão da empresa, nomeadamente “abuso de poder em licitações e contratos de projetos”.

O anterior presidente da CTG, Cao Guangjing, foi nomeado vice-governador da província de Hubei, onde se situa a barragem das Três Gargantas do rio Yangtze.

A China Three Gorges, uma empresa estatal diretamente tutelada pelo governo central chinês, tornou-se o maior acionista da EDP em 2012, quando pagou 2,7 mil milhões de euros por 21,35% do capital da elétrica portuguesa.