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Os ataques híbridos russos contra países da NATO não vão enfraquecer o apoio à Ucrânia, garantiu na terça-feira o secretário-geral da Aliança Atlântica, Mark Rutte, apelando, contudo, à “calma” perante o aumento deste tipo de incidentes.

A Estónia atribuiu esta terça-feira à Rússia um “ato de sabotagem”, na sequência de um incêndio numa fábrica de drones terrestres de que foi alvo em agosto.

Mark Rutte saudou a comunicação das autoridades estónias, sublinhando que a partilha de informações entre aliados é importante para “atribuir responsabilidades” e obter uma “visão completa da situação”.

“[Moscovo] está a tentar enfraquecer a nossa determinação e pôr fim ao nosso apoio à Ucrânia. Mas a Rússia está a ser travada, está a fracassar no campo de batalha, tal como fracassa nas tentativas de minar a nossa unidade e o nosso apoio à Ucrânia”, afirmou Mark Rutte, ao lado do primeiro-ministro lituano, Mindaugas Sinkevicius.

“Somos mais fortes e eles sabem-no”, acrescentou o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), apelando também à “calma” e a que não se ceda ao medo.

Ciberataques, drones e sabotagem. A guerra híbrida da Rússia contra a Europa

Os europeus estão preocupados com o aumento destes ataques, designados híbridos, por ocorrerem abaixo do limiar do que é considerado um ato de guerra ou uma operação militar, como, por exemplo, um incêndio criminoso ou um ato de sabotagem.

“Dispomos de todas as opções de resposta, por vezes visíveis, outras não, nem sempre públicas, e nem sempre numa lógica de olho por olho, dente por dente”, disse.

[Annie está de volta a Havana. Apesar das relações privilegiadas com altas figuras do regime, quer viver como os cubanos, divertir-se como os cubanos e… sofrer como os cubanos. Mas continua a ser filha do diretor da PIDE. E Fernando Silva Pais e Armanda Palhota não estão dispostos a deixá-la passar tão facilmente para o lado do inimigo. Já pode ouvir o terceiro episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]

“Naturalmente, a Rússia procura semear o medo e provocar divisões nas nossas sociedades, mas não o conseguirá. Não trememos, não vacilamos. Fazemos o que é necessário”, declarou, por seu lado, o primeiro-ministro lituano.

Rússia defende-se de acusações de guerra híbrida alegando “ameaça direta”

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, respondeu esta terça-feira às recentes acusações de guerra híbrida feitas por vários países europeus, afirmando que Moscovo está a neutralizar uma possível “ameaça direta”.

“Se se refere à destruição das infraestruturas utilizadas pelo regime nazi, com o apoio do Ocidente, para fazer a guerra contra a Rússia, então estamos a recorrer à força para neutralizar uma ameaça direta contra nós“, respondeu o chefe da diplomacia russa, quando questionado sobre o assunto durante uma conversa com jornalistas realizada à margem de um fórum sobre política global, em Moscovo.

Citado pela agência noticiosa espanhola EuropaPress, Lavrov acusou a Europa de estar a fazer guerra contra a Rússia e recordou que alguns países reconheceram mesmo que o seu armamento está a ser utilizado para atacar território russo.

“Refere-se à destruição dos drones e mísseis que o Reino Unido e a Europa continental fornecem à Ucrânia? Se admite que nos atacam com as suas armas – chame-lhe o que quiser –, não tenho dúvidas de que esta é uma guerra que a Europa está a travar contra nós”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros russo.

Nas últimas semanas, vários países europeus, incluindo a União Europeia, mas sobretudo os mais próximos da Rússia, têm acusado Moscovo de intensificar uma campanha de guerra híbrida, que inclui atos de sabotagem, ciberataques e pressão migratória, com o objetivo de pôr à prova a unidade do apoio europeu à Ucrânia.

Por seu lado, o Kremlin afirmou que estas acusações não passam de um “exagero deliberado” dos governos europeus para justificar junto das respetivas populações os elevados gastos militares e o apoio à Ucrânia.