País

Utentes do Amadora-Sintra esperam mais de seis meses por consulta de especialidade

Entre 2009 e 2012 os tempos médios de resposta a pedido de consulta mais do que quadriplicou. Também aumentou o número de doentes à espera de cirurgia e duplicaram os doentes à espera de exames.

Os utentes muito urgentes esperaram nas urgências o triplo do tempo previsto, em 2012

ANTONIO COTRIM/LUSA

Em 2009, os utentes do Hospital Dr. Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra) esperavam, em média, 39,7 dias por uma consulta de especialidade. Em 2012, o tempo médio de resposta a pedidos de consulta disparou para os 193,4 dias, ou seja, mais de seis meses de espera, embora a unidade hospitalar tenha aumentado o número de primeiras consultas neste período.

A informação consta do relatório de Auditoria de Resultados ao Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca, feito pelo Tribunal de Contas, e que foi divulgado esta quarta-feira. Segundo a entidade presidida por Guilherme D’ Oliveira Martins, “apenas 44,7% das consultas realizadas em 2012 foram-no em tempo considerado adequado, constituindo o segundo pior registo do grupo de referência, apenas superado pelo Hospital do Espírito Santo de Évora”.

Além das consultas, os auditores olham ainda para os tempos de espera nas urgências. Se no caso das situações não urgentes “não ultrapassou os 240 minutos estabelecidos”, já “o tempo médio de espera das situações muito urgentes foi o triplo do previsto (3o minutos quando o atendimento deveria ter sido realizado no máximo de 10 minutos)”.

O número de doentes em lista de inscritos para cirurgia também registou um aumento de cerca de 24% (786 doentes) em 2012, face ao ano anterior, sendo que o maior acréscimo se verificou em oftalmologia. Contudo, a mediana do tempo de espera em lista de inscritos para cirurgia de todas as especialidades foi de 91,3 dias, em 20120, “tendo diminuído progressivamente” para 79,1 dias em 2012.

Aumentou ainda o número de utentes à espera de meios complementares e diagnóstico e terapêutica (exames e análises). De 2010 para 2012 esse número duplicou, tendo passado de 2,455 para 4.940 utentes. No período de 2009 a 2012, 95% dos exames foram prescritos para entidades privadas.

Os auditores sublinham ainda que “por não existir monitorização periódica da lista de espera para a realização de exames de colonoscopia ocorreram erros ou falhas nas marcações, que prejudicaram o acesso dos utentes em tempo útil àqueles cuidados”. Esse controlo foi instituído na instituição este ano, após instrução da Entidade Reguladora de Saúde.

E se em termos de custos operacionais por doente padrão, o Hospital Doutor Fernando da Fonseca se apresenta como “o quarto hospital mais eficiente” num grupo de oito hospitais (Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, Hospital de Braga, Hospital de Faro, Hospital Doutor Fernando da Fonseca, Garcia de Orta, Centro Hospitalar Tondela Viseu), a verdade é que na comparação com esses mesmos hospitais, o Hospital que cobre Amadora e Sintra “fica aquém nas dimensões do acesso e da qualidade”, refere o Tribunal.

TC recomenda ao ministro penalizar quem não cumpra com tempos de espera

No rol de recomendações feitas ao ministro da Saúde, a entidade presidida por Guilherme D’Oliveira Martins refere que devem ser tomadas “iniciativas no sentido de ser assegurada uma redução significativa dos tempos médios de acesso à prestação de cuidados de saúde dos utentes”, bem como devem ser estipulados “tempos máximos de resposta garantidas”. É ainda sugerido a Paulo Macedo que “promova a avaliação de desempenho dos membros do conselho de administração (…)”.

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