Um responsável da investigação operacional dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) Rony Zachariah disse esta sexta-feira que a situação na Serra Leoa é catastrófica, onde o Ébola dizimou aldeias inteiras e causou mais mortes do que o anunciado. “Doentes morreram e comunidades desapareceram e isso não aparece nas estatísticas”, declarou Zachariah à agência France Presse, à margem de um congresso médico em Barcelona, adiantando que o número oficial de mortos é “muito inferior ao da realidade”.

A febre hemorrágica Ébola, muito contagiosa, causou desde o início do ano até 27 de outubro pelo menos 4.922 mortos em 13.703 casos registados, na sua quase totalidade em três países: Libéria, Serra Leoa e Guiné-Conacri, segundo o último balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS). Rony Zachariah, que esteve nas zonas rurais da Serra Leoa, declarou à AFP que “a situação [no país] é catastrófica”. “Algumas aldeias foram simplesmente apagadas” do mapa. “Numa aldeia com 40 habitantes, 39 morreram. Um único sobrevivente. Numa outra, os 12 membros de uma família, avós, pais, filhos, morreram todos”, adiantou.

“Mas nenhum está incluído nas estatísticas”, lamentou, assinalando a total saturação dos sistemas de saúde locais com, nalguns casos, “três ambulâncias para 400.000 habitantes” e as dificuldades dos centros de saúde, cujos profissionais são infetados e morrem. Segundo o médico, aqueles países “têm, no máximo, uma enfermeira por cada 10.000 habitantes”. “Como é que querem que o sistema funcione quando eles perdem 10, 11 ou 12 enfermeiras”, questionou Zachariah. O responsável dos MSF defendeu o envio de mais profissionais de saúde, meios de transporte e logísticos para aqueles países da África Ocidental.