Os serviços de emergência ucranianos começaram a recolher os despojos do voo da Malaysia Airlines MH17 que caiu no leste da Ucrânia a 17 de julho deste ano, informaram este domingo os investigadores de acidentes aéreos holandeses. A ideia é que a reconstrução do avião com as partes encontradas permita descobrir qual a causa da queda da aeronave.

“A área do acidente é enorme, por isso não pretendemos recuperar todos os destroços. Temos um número específico de itens que gostaríamos de recuperar”, disse o porta-voz do Conselho de Segurança holandês Wim van der Weegen, acrescentando que o período de recolha vai depender das condições meteorológicas e dos conflitos na zona. O Conselho de Segurança propõe-se entregar um relatório definitivo em julho de 2015.

Das 298 vítimas da queda do avião que tinha saído de Amesterdão em direção a Kuala Lumpur, quase 190 tinham nacionalidade holandesa, daí o interesse deste grupo de investigadores. Mas a presença no local de separatistas pró-russos levaram os investigadores holandeses a solicitar a colaboração das entidades locais por questões de segurança, refere a Reuters. Já na altura da queda do avião, as autoridades de Kiev acusavam os separatistas de terem dificultado as buscas e de terem pilhado os destroços e as vítimas.

O Governo ucraniano tem acusado os separatistas de terem abatido o avião, enquanto o Governo russo acusa as forças militares ucranianas. Em setembro, foi publicado um relatório preliminar pelo Conselho de Segurança holandês baseado nos dados das caixas negras do avião, nas provas fotográficas e de radar e em imagens de satélite. O mesmo afirmava que não havia “provas de falha técnica ou erro humano” e que o avião tinha sido “atingido por numerosos objetos de alta energia” que “o perfuraram quando ia a alta velocidade”. Mesmo sem indicar que tipo de objeto tinha atingido o Boing 777-200, parece ter ficado demonstrado que se desintegrou no ar. Uma situação consistente com um ataque seja a partir do ar ou solo.

Esta mesma semana, na reunião do G20 que teve lugar na Austrália, os líderes dos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Austrália teceram críticas contra a posição do Presidente russo Vladimir Putin em relação aos separatistas pró-russos e à intervenção que tem tido nos conflitos e ocupação da Ucrânia.