Juncker e a sua comissão estão em funções desde o início do mês, mas enfrentam para a semana o primeiro teste de fogo em Estrasburgo onde os eurodeputados vão votar uma moção de censura contra a nova Comissão Europeia. O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, informou esta terça-feira os eurodeputados que recebeu uma moção de censura, vinda do grupo eurocético liderado por Nigel Farage, do partido eurocético britânico UKIP.

Assim, esta não é moção da Esquerda Unitária, anunciada há uma semana por este grupo político europeu. A moção votada para a semana vem dos setores eurocéticos e de extrema-direita presentes no Parlamento Europeu, dando um prova da sua força. Para além do grupo Liberdade e Democracia (EFD) constituído pelo UKIP e pelo partido de Beppe Grillo, Movimento 5 Estrelas, a moção é ainda assinada por Marine Le Pen, eurodeputada da frente nacional. Apesar das dificuldades internas de entendimento entre estas várias tendências, Farage conseguiu reunir pelo menos 76 eurodeputados para tentar deitar abaixo Juncker.

Esta moção de censura vem no seguimento das revelações de uma investigação jornalística que mostrou como mais de 300 empresas multinacionais detinham acordos secretos com o Luxemburgo para pagarem impostos mais baixos, prejudicando países terceiros. Juncker foi o primeiro-ministro do Luxemburgo por mais de 18 anos.

No documento que será debatido na próxima semana é referido que a evasão fiscal “não é legal”, embora este seja um facto “ignorado pela Comissão e pelas instituições europeias”. Os eurodeputados consideram que estão em causa “sistemas agressivos de evasão fiscal” em alguns estados-membros da UE, particularmente os aplicados no Luxemburgo, que provocaram perdas de “biliões de euros” em receitas fiscais para outros estados-membros.