O Museu Britânico anunciou esta sexta-feira que emprestou ao Hermitage, em São Petersburgo, na Rússia, uma estátua grega que faz parte de um conjunto cuja propriedade é disputada pelo Reino Unido e a Grécia. O primeiro-ministro grego não gostou do gesto e considerou o empréstimo “uma afronta” ao seu povo.

A escultura emprestada é a do deus Ilissos e é a primeira vez que sai do Reino Unido desde que chegou à ilha em 1816, incluída num conjunto tirado do Parténon, em Atenas. Estará na Rússia até 18 de janeiro – e o mundo só ficou a saber esta sexta-feira, com a estátua já em exposição no Hermitage.

“O Parténon e as suas esculturas foram pilhadas”, afirmou Antonis Samaris, primeiro-ministro da Grécia, em comunicado. “Nós, os gregos, identificamo-nos com a nossa história e cultura! Elas não podem ser separadas, emprestadas e dadas”, acrescentou.

As esculturas gregas do Museu Britânico fazem parte de uma coleção conhecida como ‘os mármores de Elgin’, por terem sido levadas para o Reino Unido pelo Lord Elgin em meados do século XIX. O museu alega que Elgin terá comprado as estatuetas, mas a Grécia contesta, dizendo que elas foram roubadas, quando o território grego estava sob ocupação otomana.

Em declarações à BBC, o diretor do museu, Neil MacGregor, preferiu destacar a importância de a escultura sair do Reino Unido pela primeira vez. “Esta é a primeira vez que o povo da Rússia tem a oportunidade de ver este grande momento da arte europeia e do pensamento europeu”, disse, acrescentando que esperava que o governo grego ficasse “maravilhado” com o empréstimo.

Mas Samaris viu no gesto uma provocação e uma mentira. “O argumento britânico – de que os mármores do Parténon não podem ser movimentados – já não é válido, tal como a existência do novo Museu da Acrópole invalida o outro argumento de que não havia um espaço apropriado para exibir as esculturas”, disse no comunicado.

A disputa entre a Grécia e o Reino Unido dura há várias décadas. Já este ano, a embaixadora da Boa Vontade da Unesco, Marianna Vardinoyiannis, lançou uma campanha designada “Devolver (os mármores), Restaurar (o Partenón) e Recomeçar (a história)”, que contou mesmo com o apoio da advogada Amal Alamuddin Clooney, que visitou a Acrópole em outubro.