Rádio Observador

Crise no GES

Riscos de exposição do BES ao Grupo Espírito Santo foram denunciados em 2001

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Relatório elaborado em 2001 pela auditora PwC alertava para a exposição do Banco Espírito Santo às empresas do Grupo e denunciou a existência de empréstimos a seis sociedades offshore.

Problemas graves no banco liderado por Ricardo Salgado foram denunciados logo em 2001

© Hugo Amaral/Observador

Autor
  • João Cândido da Silva

“Há um risco enorme na concessão e extensão de créditos inapropriados” celebrados entre o Banco Espírito Santo (BES) e o Grupo Espírito Santo (GES). A denuncia foi agora conhecida, através de uma notícia avançada pela RTP, mas foi feita em 2001 pela PwC, num documento realizado a pedido da instituição financeira que entrou em colapso e foi objeto de resolução no início de agosto passado.

Há 13 anos, a PwC já alertava para problemas graves que afetavam o banco e a holding Espírito Santo Resources, que representava “o maior risco de exposição efectiva do grupo BES”. Na época, afirmava que a exposição do banco atingia “800 milhões de euros, a 31 de dezembro de 2000”. O documento, de maio de 2001, também adiantava a existência de empréstimos realizados a “seis empresas offshore”, no valor total de 785 milhões de euros, dinheiro que terá sido utilizado para facilitar a compra de ações do próprio BES, de unidades do GES e de outras empresas portuguesas.

O relatório continha um conjunto de recomendações, de acordo com a RTP, e propunha que, perante a dimensão da exposição a empresas do Grupo, a administração do BES deveria ter “em séria e urgente consideração a necessidade de criar um comité de auditoria formal”, que atuaria na fiscalização e controlo de empresas do GES, incluindo a Espírito Santo International e as empresas da área não fnanceira do Grupo. A opacidade também não escapou à PwC. “Há uma tendência dos altos quadros executivos para restringirem o fluxo de informação aos membros da administração ao essencial”. E a auditora lamenta, igualmente, as dificuldades que diz ter enfrentado na “disponibilidade de registos contabilísticos, ficheiros e documentos necessários às equipas de auditoria independente”.

A PwC foi substituída como auditora do BES em 2002, após a elaboração do documento em causa, mas a instituição financeira que foi liderada por Ricardo Salgado desde 1991 contratou dois dos quadros que o fizeram: João Martins Pereira e Nelson Pita. Os deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito ao BES querem chamar ambos para audição.

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