O histórico dirigente catalão Jordi Pujol foi acusado de fraude fiscal e lavagem de dinheiro, segundo uma decisão judicial divulgada hoje, quando a Catalunha está a viver uma conjuntura de afirmação nacionalista face a Madrid.

Pujol foi convocado para prestar declarações à juíza de instrução Beatriz Balfagon, em Barcelona, no dia 27 de janeiro, a par da sua esposa Marta Ferrusola e de três dos seus filhos, segundo a decisão da magistrada, datada de 11 de dezembro.

A justiça pediu também informações complementares a Andorra e ao Liechtenstein sobre as contas bancárias presumíveis de Jordi Pujol e familiares.

Em causa está saber se o antigo presidente do governo da Catalunha escondeu à administração fiscal vários milhões de euros.

Em julho, Pujol admitiu publicamente ter escondido ao fisco, durante 34 anos, a herança do seu pai, colocada em Andorra, um principado entre França e Espanha.

Jordi Pujol, que já tinha sido objeto de investigação em 1986 por suspeita de gestão fraudulenta do Banca Catalana, surpreendeu com esta confissão, quando a justiça já inquiria dois dos seus filhos, Jordi e Oriol.

A confissão levantou suspeitas de comissões ocultas na atribuição de obras públicas durante a sua presidência.

“Pessoalmente, posso afirmar, categoricamente, que nunca fui um homem político corrupto”, garantiu em setembro, no parlamento regional.

Presidente do governo regional catalão durante 23 anos, de 1980 a 2003, Pujol conseguiu aumentar com frequência os poderes da região autónoma, tendo mesmo sido classificado como o vice-rei de Espanha, dado o seu peso político. Em 2013, juntou-se à causa da independência da Catalunha.

Vários dos seus filhos estão a ser investigados por vários casos.

A multiplicação das investigações coincide com o braço-de-ferro entre Madrid e Barcelona, depois de o atual presidente catalão, Artur Mas, ter feito campanha pela independência desta região que representa mais de um quinto do Produto Interno Bruto (PIB) de Espanha.