O ator António Montez, de 73 anos, que participou na primeira telenovela portuguesa em 1982, “Vila Faia”, morreu esta segunda-feira em Lisboa, disse à Lusa o ator Heitor Lourenço. De acordo com a mesma fonte, António Montez encontrava-se doente, tendo morrido numa unidade hospitalar.

Natural do Cartaxo, no distrito de Santarém, onde nasceu em 1941, enveredou pela carreira de ator aos 23 anos, no Teatro Experimental do Porto, onde na época trabalhava o encenador Carlos Avilez. Em setembro de 2010, numa tertúlia organizada pelo ator José Raposo, no Centro Cultural do Cartaxo, Montez recordou esse tempo: “Fiz 12 peças seguidas, dez das quais como protagonista absoluto. Foi o melhor de todos os conservatórios”.

No final da década de 1960, fixou-se em Lisboa, onde trabalhou em várias companhias, na rádio e na televisão. Fez parte do elenco da “Trilogia das Barcas”, de Gil Vicente, e do “Auto da Natural Invenção”, em adaptações de Luís Francisco Rebello, sob a direção de Artur Ramos, para a RTP.

António Montez trabalhou igualmente com o realizador e encenador na adaptação de “Morte de um Caixeiro Viajante”, de Arthur Miller, ao lado de Fernanda Borsatti e Rogério Paulo, peça que foi do palco do Teatro Maria Matos, em Lisboa, para a noite de teatro da RTP, em 1974. Foi também no Maria Matos que protagonizou “Português, escritor, 45 anos de idade”, uma peça da autoria de Bernardo Santareno.

Em 1974, fez parte do grupo fundador do Teatro Adoque, instalado no Martim Moniz, do qual fizeram parte atores como Ermelinda Duarte, com quem se casou, Francisco Nicholson, Carlos Gonçalves, José Viana e Henrique Viana, entre outros, e onde se estrearam os originais “Pides na Grelha” e “CIA dos Cardeais”.

O ator participou na primeira telenovela portuguesa, “Vila Faia”, em 1982, contracenando com Mariana Rey Monteiro, Glória de Matos, Ruy de Carvalho, Adelaide João e Rosa Lobato de Faria, entre outros, inaugurando um trabalho, na produção televisiva, que viria a marcar o seu percurso. Ao longo da carreira participou em várias telenovelas e séries televisivas como “Origens”, com Curado Ribeiro e Florbela Queiroz, “Chuva na Areia”, com Rui Mendes, Alina Vaz e Armando Cortez, “Cinzas”, com Maria João Luís, André Gago e Ricardo Carriço, e, mais recentemente, em “Olhos nos olhos”, “Vingança” e “O olhar da serpente”.

Até 2002, somou participações em cerca de 20 séries e telenovelas, nomeadamente “Camilo, o pendura”, “Floribella”, “Um sarilho chamado Marina”, “Aqui não há quem viva”, e nas séries dramáticas “Pedro e Inês”, “Alves dos Reis” e “Conde de Abranhos”, que adaptava o original de Eça de Queiroz.

No cinema, fez parte dos elencos de “Alexandre e Rosa”, curta-metragem inicial de João Botelho, e de “Dina e Django”, de Solveig Nordlund (1982), assim como de “Amália, o filme”, (2008), de Carlos Coelho da Silva. Em 1971, protagonizou “Pedro só”, de Alfredo Tropa, um dos títulos que, na altura se juntou à produção do Novo Cinema Português.

A última vez que subiu ao palco na sua terra natal, foi em 1969, ao lado de Raul Solnado, na peça “A Preguiça”, no Cine-Teatro Ribatejo. Na tertúlia de setembro de 2010, no Centro Cultural do Cartaxo, Montez recordou seu avô, o médico Júlio Montez, conhecido no concelho como “o pai dos pobres”. Foi por ele que entrou em Medicina. Mas, “entre dois amores”, escolheu o palco. “Até hoje ainda não me arrependi”, disse então.