Foi por volta das 12h20 que a Guarda Costeira italiana revelou que todas as pessoas que seguiam a bordo do Norman Atlantic já tinham sido resgatadas. As operações de resgate, coordenadas pelas autoridades marítimas italianas, gregas e albanesas, retiraram 478 pessoas do ferryboat que, no domingo, se incendiou a meio da travessia do Mar Adriático, entre a ilha de Corfu, na Grécia, e Ancona, cidade costeira em Itália. Sete delas foram resgatadas já sem vida do navio.

O governo italiano já iniciou uma investigação criminal ao incêndio que ocorreu no local do navio que albergava os 195 veículos, noticiou a agência France-Presse. A decisão, vinda de Giuseppe Volpe, procurador de Bari, visa averiguar se a negligência teve, ou não, um papel no episódio. No entanto, vários jornais já avançam com prováveis causas. O To Vima, jornal grego, diz que havia sobrecarga do ferry e que alguns veículos, nomeadamente camiões excediam a altura permitida no barco. Já o Il Corriere della Sera, jornal italiano, diz que o ferry foi inspecionado no dia 19 de dezembro e foram verificadas várias falhas de segurança, nomeadamente no controlo dos incêndios e no equipamento salva-vidas.

A marinha italiana, durante toda a manhã desta segunda-feira, forneceu atualizações acerca das operações resgate através da sua conta oficial de Twitter. As operações, aliás, estarão a ser dificultadas pelas fortes rajadas de vento que assolam a região — no domingo chegaram a atingir os 100 quilómetros por hora — e pela reduzida visibilidade no local, causada pelo fumo proveniente do incêndio que ocorreu a bordo no Norman Atlantic.

https://twitter.com/ItalianNavy/status/549554337165627393

O acidente, originado, de acordo com os relatos iniciais, por um incêndio que deflagrou na parte do navio onde estavam alojados o total, ou parte, dos 222 veículos que seguiam a bordo. O episódio resultou, logo no domingo, numa vítima mortal: um passageiro grego que caiu ao mar com a sua mulher, a qual foi retirada das águas. A meio da manhã desta segunda-feira o número de mortes aumentou para quatro.

Os primeiros resgatados chegaram na madrugada desta segunda-feira a Brindisi, no sudeste de Itália, a cerca de 75 quilómetros da localização estimada do ferry, no Mar Adriático. O incêndio no navio, que fazia a ligação entre Patras, na Grécia, e Ancona, em Itália, deverá ter começado no convés destinado aos veículos quando o ferry se encontrava a cerca de 81 quilómetros da ilha grega de Corfu.

Passageiros relataram aos meios de comunicação que estavam a tossir por causa do fumo, encharcados e gelados por causa da chuva e sentiam os sapatos a derreter devido ao calor do fogo quando foram reunidos na área de receção do navio.

A bordo do ferry estavam 128 camiões, alguns carregados de azeite, num total de 222 veículos. O ministro da Marinha grego informou que 268 passageiros são gregos e a tripulação é composta por 22 italianos e 34 gregos. Viajam ainda no navio 54 turcos, 44 italianos, 22 albaneses, 18 alemães, além de cidadãos suíços, franceses, russos, austríacos, britânicos e holandeses.