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Direitos Humanos

Uma mulher transgénero é a nova presidente da câmara de Raigarh na Índia — e é a primeira

Índia elegeu a primeira mulher transgénero presidente de câmara. "As pessoas mostraram ter fé em mim", revelou Madhu Bai Kinnar. Na Índia há dois milhões de pessoas transgénero.

Podiam ser umas eleições municipais na Índia iguais a tantas outras. Os cidadãos escolhem, os votos são contados e é eleito/a um ou uma presidente. Desta vez, coube a uma mulher a vitória. Uma mulher transgénero.

O termo transgénero significa que a identidade não está congruente com o género que lhe foi atribuído à nascença. Transsexual remete para uma transformação física”, explicou Zélia Figueiredo ao Observador, no âmbito da reportagem sobre a realidade das crianças transgénero.

Chama-se Madhu Bai Kinnar, tem 35 anos e já marcou uma página nova no país. Foi no domingo que a mulher transgénero se sagrou presidente da câmara da cidade Raigarh, no estado de Chhattisgarh — a primeira a ocupar este lugar, desde sempre. Madhu ultrapassou o rival do partido nacionalista BJP, ao qual pertence o primeiro-ministro, por 4.500 votos, de acordo com informações da comissão de eleições reveladas pela BBC.

Anunciada a vitória, Madhu Bai Kinnar não se coibiu de festejar. Vestia um sari colorido, dançou muito, distribuiu abraços e sorrisos e agradeceu a todos, conta o espanhol Informador. Foram os próprios habitantes da cidade que pediram à mulher de 35 anos que se candidatasse para representar a população. Antes, Madhu vivia a cantar e dançar nos comboios. “As pessoas mostraram ter fé em mim”, revelou aos jornalistas presentes no momento. “Esta vitória representa o amor e a bênção de todas estas pessoas por mim. Vou colocar todos os meus esforços para realizar os sonhos deles”.

Já em abril de 2014, o Supremo Tribunal do país reconheceu as pessoas transgénero como terceiro género. “Todas as pessoas têm o direito de escolher o seu género”, lia-se na decisão. “Reconhecer os transgénero como terceiro género não é uma questão médica ou social, é uma questão de direitos humanos”, acrescentava um dos juízes envolvidos no processo, KS Radhakrishnan. Uma “questão” que atinge a vida de algumas pessoas: na Índia há cerca de dois milhões de pessoas transgénero.

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