Pedro Santana Lopes diz que pode haver “vários candidatos à direita” nas eleições presidenciais de 2016, que estes candidatos não devem ficar à espera de decisões das direções partidárias e que até já falou com Marcelo Rebelo de Sousa sobre a estratégia para essas eleições.

O antigo primeiro-ministro, que afirmou esta noite anunciar a sua decisão antes das legislativas, considera que para ser Presidente da República é preciso “ter vontade, convicção e projeto” e que ele próprio já provou que conhece o país.

O que Santana Lopes disse não perceber esta terça-feira no seu espaço semanal de comentário na SIC Notícias – que divide com o socialista António Vitorino -, é que outros comentadores, leia-se Marcelo Rebelo de Sousa, digam que não deve haver mais candidatos à direita com medo de dividir o eleitorado. No entanto, admitiu já ter falado com o próprio sobre a quantidade de candidatos à direita, que na sua opinião “podem ser 5 ou 6”, e que não é uma questão “de medo ou falta de medo de avançar”.

O atual provedor da Santa Casa da Misericórdia diz mesmo que considera esta conceção das eleições presidenciais “um bocadinho autocrática”. “Isto não é assim, é contra a republica, contra a essência da liberdade. As presidenciais não são legislativas, nem se pode esperar por decisões partidárias. Vamos ficar à espera? Porquê?”, questiona Santana.

Já Vitorino, considerou que “na esquerda há tradição de vários candidatos”, mas que “há um candidato natural” e “com perfil ganhador”, que é António Guterres. Também o antigo comissário europeu defendeu que a candidatura à presidência deve ser espontânea e deve partir de um impulso pessoal. O socialista criticou ainda a direita: “À direita todos se olham por cima do ombro, há pouca espontaneidade”.

Sobre Guterres, o antigo primeiro-ministro disse que o “choca” o facto “de alguns comentadores” dizerem que tem de se esperar pela escolha de Guterres entre a ONU e Belém para se alinharem os candidatos à direita. Santana Lopes disse ainda que atualmente já não se considera um homem de direita pura. “Quanto mais tempo passa, menos simpatia tenho pelas correntes liberais”, assegura, tendo em conta o cargo com um pendor mais social que assumiu na Santa Casa desde 2011.