“Pontuais”. Foi desta forma que o ministro da Saúde, Paulo Macedo, adjetivou os casos que têm sido relatados pela comunicação social, dando conta de utentes que esperaram mais de 20 horas nas urgências para serem vistos por um médico. E se por um lado concordou que é previsível que haja um aumento de afluência por esta altura do ano às urgências, com uma habitual subida dos tempos de espera em alguns hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), este ano o frio e a tipologia de doentes que deram entrada pelas portas de urgência de alguns hospitais comprometeram o normal atendimento, explicou o ministro.

“Era previsível [o aumento da afluência às urgências], mas a data exata em que começámos a gripe e este frio anormal não era previsível. E também não é exatamente igual aos outros anos o tipo de doentes que estão a ocorrer às urgências: não são só mais idosos, como têm mais comorbilidades (duas ou mais doenças) e temos mais doentes com uma triagem de maior prioridade e mais internamentos e maior tempo para fazer diagnóstico a esses doentes”, explicou o ministro Paulo Macedo, esta quinta-feira à noite em entrevista à RTP, depois de ter ido ao Parlamento, a pedido do PS, para falar sobre o assunto, mas sem nunca ter avançado com esta justificação.

Paulo Macedo voltou a referir, como já tinha feito horas antes, no Parlamento, que desde 2010 houve um aumento líquido do número de médicos em Portugal: são hoje mais cerca de 2.200 do que a 31 de dezembro daquele ano. “É a única classe da administração pública com aumento líquido”, frisou. E além de o SNS ter “mais recursos humanos” (foram também contratados 1.090 enfermeiros no ano passado e este ano serão contratados perto de 1.700), “temos unidades hospitalares melhores”.

De facto, admitiu, há urgências “em dificuldades”, “algumas delas de natureza estrutural, como o caso do Amadora-Sintra e das Caldas da Rainha. Aquelas urgências não têm capacidade física, nem possibilidade de atender normalmente nos picos“, atestou o ministro, que já tinha avançado na Assembleia da República que vão ser levadas a cabo obras de remodelação em urgências de cinco hospitais. Além destes dois já indicados, também em Coimbra, Gaia e Barreiro.

Além disso há ainda o problema da falta de médicos. “Temos de ter mais médicos disponíveis para fazer urgências”, afirmou o ministro, voltando a indicar que mais de 10 mil estão dispensados, pela idade, de fazer urgências hospitalares.

E se por um lado Macedo fez questão de frisar que os casos de longas espera, e até mortes durante essa espera, foram “pontuais”, por outro também disse que as urgências “não deviam falhar” pois a “situação normal não é essa”.

Em relação aos próximos dias, em que se espera um aumento dos casos de gripe, o ministro apenas garantiu que vai “monitorizar muito de perto esta situação” e que “há razões para ter confiança nestes profissionais e nestas urgências”. Porém, questionado pelo jornalista do canal público de televisão sobre se podia garantir que não voltariam a repetir-se notícias destas, Paulo Macedo apenas respondeu que “demoras pontuais vai haver sempre”.