Igrejas incendiadas, confrontos entre manifestantes e polícia, fogo posto. Este é o cenário que se vive em Níger depois de vários protestos contra a publicação de caricaturas do profeta Maomé na revista francesa Charlie Hebdo. O balanço conta já com dez mortos na ex-colónia francesa e as autoridades francesas até alertaram os seus cidadãos para se manterem em casa e não se exporem. Há mais países muçulmanos onde os protestos contra representações diplomáticas francesas e igrejas católicas se descontrolaram.

Os confrontos entre manifestantes e polícia ocorreram, segundo a Bloomberg, este sábado quando cerca de mil pessoas se juntaram à porta da mesquita de Niamey, capital do Níger. A polícia foi obrigada a lançar gás lacrimogéneo sobre os manifestantes que se viraram contra as autoridades. Cinco pessoas perderam a vida.

A maior igreja protestante de Niamey foi saqueada e incendiada, enquanto cerca de 20 outras igrejas e lugares de culto foram alvos de fogo posto. A catedral católica foi cercada de polícias de choque, que tentam evitar um ataque semelhante.

No dia anterior, mas em Zinder, a segunda maior cidade de Níger, cinco pessoas morreram e 45 ficaram feridos durante uma manifestação, refere o Le Parisien. A polícia matou a tiros dois manifestantes, enquanto outro morreu após inalar gás lacrimogéneo e um polícia foi morto.

O ministro do Interior, Massaoudou Hassoumi, que participou na Marcha da República há uma semana em Paris, já condenou estas manifestações violentas.

“Não podemos aceitar que isso seja em nome de nossa religião”, disse Issoufou. “Condenamos esta agitação”, disse o ministro Mahamadou Issoufou.

Os manifestantes estão contra a última capa do semanário satírico Charlie Hebdo, atacado por dois homens armados a 7 de janeiro. 12 pessoas morreraram vítimas do massacre. Uma semana depois, a publicação fez uma nova alusão a Maomé, com ele a chorar e a segurar uma placa dizendo: “Je suis Charlie” ou “Eu sou Charlie.” Debaixo da frase lia-se: “Tudo é perdoado”.

Sudão, Mauritânia e Mali também se manifestaram este sábado, Quénia ameaçou fechar um jornal para reimpressão de um desenho animado e em Benin defende-se que a representação de Maomé foi uma “provocação”.

Na capital sudanesa de Khartoum, os manifestantes reuniram-se em frente à embaixada francesa e exigiram a expulsão do embaixador. Na capital mauritana Nouakchott, milhares de manifestantes reunidos, pela segunda vez em três dias, queimaram uma bandeira francesa e tentaram marchar até à embaixada.

Níger, Sudão, Mauritânia e Mali são predominantemente muçulmanos, enquanto Quénia e Benin têm minorias muçulmanas significativas.

Charlie Hebdo vai estender a impressão de sua última edição aos 7 milhões de exemplares.