“Felizmente, no nosso setor, não existe desemprego”, afirmou à agência Lusa João Faustino, acrescentando que devido “ao crescimento que o setor teve nos últimos anos” não há “mão-de-obra disponível no mercado para fazer face às necessidades das empresas”.

Segundo João Faustino, as empresas têm feitos acordos com politécnicos e universidades no sentido de admitirem jovens, primeiro para realizarem estágios e depois encetarem o processo de recrutamento. “Ainda assim não chega”, constatou o dirigente, apontando, além de quadros com formação superior, a necessidade premente de técnicos com formação profissional.

Destacando a existência de ações no sentido de divulgar o setor e a engenharia no ensino secundário, o presidente da Cefamol, associação que completou 45 anos em 2014 e conta com 135 associados, afiançou que jovens recém-formados com “valências com capacidade para trabalhar nesta atividade têm emprego”.

A necessidade de recursos humanos é tão mais urgente quando se constata o investimento que a indústria de moldes tem realizado. “De uma maneira geral, o setor tem investido bastante nos últimos anos em novas tecnologias e novos equipamentos, mas também surgem diversos projetos de ampliação ou construção de novas instalações”, salientou a Cefamol.

Para João Faustino, o investimento “espelha um pouco a esperança na atividade da empresa”, mas também “o que tem sido os últimos anos face ao crescimento e o desafio que as empresas têm encontrado para se posicionarem tecnologicamente numa vertente mais produtiva e mais acelerada para responder às necessidades que são solicitadas”.

Questionado sobre que medidas gostaria que o Governo tomasse para o setor, João Faustino reconhece a importância de se “facilitar a abertura de portas em mercados internacionais”, notando haver “muitas dificuldades” em chegar ao mercado brasileiro. “Cobra-se uma taxa de importação muito elevada e isso faz com que os moldes portugueses depois percam a competitividade”, declarou João Faustino, esperançado na diminuição das taxas aduaneiras, mas admitindo que esta tenha de ser uma ação concertada ao nível da União Europeia.

A nível fiscal, o responsável considera importante ultrapassar a questão de reaver o IVA por parte das empresas que produzem moldes que ficam no país. “A empresa só para reaver o IVA envia o molde ao seu cliente [para o estrangeiro] e o cliente exporta para Portugal”, declarou, considerando que este obstáculo “deveria ser eliminado” no mais curto espaço de tempo.

A Cefamol pede, ainda, a definição quanto ao ‘cluster’ “Engineering & Tooling”, “na continuidade de uma estratégia já iniciada de promoção dos moldes nacionais no estrangeiro e no desenvolvimento tecnológico desta indústria”.