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Pedro Santana Lopes, atual provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, encontrou-se na segunda-feira com o primeiro-ministro em S. Bento e um dos assuntos foi as eleições presidenciais.

O encontro, segundo fonte próxima de Santana, foi a pedido do ex-presidente da Câmara de Lisboa que quis esclarecer a sua posição sobre presidenciais que entretanto mudou esta semana. Santana terá avisado o primeiro-ministro e líder do PSD do que viria a a assumir publicamente no dia seguinte no espaço de debate que tem com António Vitorino na SIC: afinal, já não tem pressa e vai esperar por outubro, depois das eleições legislativas, para anunciar se é ou não candidato à Presidência da República.

Santana surpreendeu na terça-feira ao afirmar que acreditava que só depois de outubro decidia candidatar-se ou não a Belém. “Tenho defendido sempre e continuo a pensar que em tese deve ser assim, que as presidenciais devem-se misturar o menos possível com as legislativas”, sublinhou Santana na SIC. Na mesma altura, justificou a decisão com o trabalho que ainda queria fazer na Santa Casa.

Essas declarações que vão ao encontro do que era a vontade da direção do PSD – não misturar presidenciais com legislativas – foram entendidas em meios sociais-democratas como fruto de pressão do próprio Passos, que notam que Santana estaria a fazer a pré-campanha presidencial tendo por palco um cargo de nomeação governamental.

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Antes da reunião com Passos e do comentário na SIC, Santana sempre tinha dito que a primavera era o limite máximo para lançar uma candidatura presidencial. O prazo lançado pelo antigo primeiro-ministro podia ser entendido como uma forma de pressionar Marcelo Rebelo de Sousa e de diminuir a margem de manobra dos outros putativos candidatos da direita.

Ora, o que terá motivado a mudança de posição de Santana Lopes em relação às eleições presidenciais? O social-democrata explicou: “Assim acaba o nervosismo dos que diziam ‘pode haver quem ganhe vantagem por se lançar em março ou abril’. Não. Assim ficamos todos iguais”.

Mesmo rematando o tema para depois das eleições legislativas, Santana continua a “pensar que há muito pouco tempo, depois de outubro até janeiro, para uma campanha presidencial como deve ser. Mas, isso… nós temos que nos sacrificar em prol do interesse coletivo”. Um sacrifício a que se junta a vontade do social-democrata continuar “na Misericórdia até às legislativas”, como, aliás, admitiu.