A zona euro não garantiu uma “convergência económica tão sustentável quanto esperávamos no início” da união monetária, lamenta o presidente do Banco Central Europeu (BCE). Mario Draghi diz que, agora, é preciso “reformas determinantes” para tornar os países “mais resilientes” e, a “médio a longo prazo”, terá de haver uma maior “partilha de soberania”, porque “ainda não vivemos numa união económica genuína”.

Em discurso esta quarta-feira no Parlamento Europeu em Bruxelas, Mario Draghi dá a receita para que a zona euro saia mais forte da crise. “Em primeiro lugar, as economias da zona euro precisam de se tornar mais resilientes. Para isto, é necessário finanças públicas saudáveis e, em particular na situação atual, reformas determinantes no que diz respeito à estrutura das suas economias”.

“Em segundo lugar, no médio a longo prazo, precisamos de evoluir desde sistema de regras e instruções sobre as políticas económicas nacionais para um sistema de partilha adicional de soberania, com instituições comuns”, afirma Mario Draghi, perante os eurodeputados.

Q.E.” era a “única ferramenta que nos restava”

O presidente do BCE reconhece, também, que “era a única ferramenta que restava” ao banco central o lançamento de um programa de expansão monetária [quantitative easing, ou Q.E] que incluirá a compra de dívida pública dos países da zona euro. O programa, que arranca já no próximo mês de março, foi a única forma à disposição do BCE para fazer face aos “riscos crescentes de que a quebra das expectativas de inflação”, que arriscavam “contagiar as taxas de inflação”, cada vez mais baixas na zona euro.

“Tais riscos, que se alimentam a si próprios, poderiam ter colocado riscos negativos graves para a estabilidade dos preços”, que é o único mandato do BCE. Foi por isso que a instituição decidiu que “era necessária uma resposta de política monetária mais poderosa”.