Era um belga flamengo, vivia sem-abrigo no Vaticano e há 25 que, todos os dias, estava na missa das 7h. Chamava-se Willy Herteller e, em parte, dedicava o seu tempo a convencer peregrinos e viajantes a confessarem-se. Este homem morreu em dezembro, com 80 anos, e o Vaticano decidiu sepultá-lo no Campo Santo Teutónico, localizado mesmo atrás da Basílica de São Pedro.

O terreno está reservado para, exclusivamente, albergar sepulturas de funcionários da Santa Sé de língua germânica. Vários clérigos e membros do Vaticano contactava diariamente com Willy Herteller, que vivia no perto da Basílica de São Pedro. “Costumava dizer que o seu remédio era receber a comunhão”, revelou o sacerdote Ciro Benedettini, porta-voz do Vaticano, citado pelo site Crux Now.

O cidadão belga, aliás, falaria quase diariamente com transeuntes no Vaticano, tentando convencê-los a rezarem. “Vivia com outras oito pessoas sem-abrigo, tentando aproximá-los de Jesus”, indicou Benedettini. O mesmo sacerdote desvendou que a Santa Sé, por várias vezes, terá encontrado alojamentos para Willy Herteller, mas o belga voltou sempre, por vontade própria, a viver nas ruas.

Ao contrário do que chegou a ser noticiado, o porta-voz do Vaticano garantiu que o Papa Francisco nada sabia sobre a decisão de sepultar o sem-abrigo belga no terreno reservado a funcionários da Santa Sé. “Ele era muito, muito aberto e fez muitos amigos. Falava muito com jovens, falava-lhes de Deus, do Papa, e convidava-os para a celebração da Eucaristia”, descreveu Bruno Silvestrinni, outro sacerdote.