“O Banco Central Europeu (BCE) tem uma corda à volta do nosso pescoço”, acusa Alexis Tsipras, o primeiro-ministro grego, pedindo mais uma vez para que o BCE viabilize que o Estado grego emita mais dívida de curto prazo (permitindo que os bancos a utilizem como garantia para nova liquidez). Sem isso, “teremos mais um thriller como o que tivemos antes de 20 de fevereiro”, o dia da última reunião do Eurogrupo.

A acusação de Alexis Tsipras surge numa pré-publicação de uma entrevista à revista alemã Der Spiegel, que será publicada este fim de semana. A pressão, crescente, está a ser feita sobre a instituição liderada por Mario Draghi, italiano que na conferência de imprensa de quinta-feira sublinhou que “o BCE é uma instituição com regras, não é uma instituição política”, remetendo para o Eurogrupo a decisão não só de, eventualmente, aumentar o limite da dívida de curto prazo como, também, a reintrodução do regime de exceção (waiver) que permitia aos bancos gregos financiarem-se nas plataformas normais do BCE apesar do rating de lixo.

Se o BCE não elevar o limite da dívida de curto prazo, o governo grego terá muitas dificuldades para cobrir a insuficiência de liquidez das próximas semanas. Algo que o próprio Alexis Tsipras assume, alertando para a grane responsabilidade que recai sobre o Banco Central Europeu.

Este seria, possivelmente, um dos temas sobre os quais Alexis Tsipras queria conversar com Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, numa reunião que o grego queria pedir para esta sexta-feira. Segundo a imprensa alemã, Juncker recusou o pedido de reunião devido ao aviso de última hora e ao facto de existir a reunião do Eurogrupo na segunda-feira.

Tsipras afirmou, também, à Der Spiegel, que pediu a todos os seus ministros para que assumam uma atitude de “menos palavras e mais ação”, perante críticas vindas de vários quadrantes à frequência com que membros do governo grego, sobretudo Yanis Varoufakis, o ministro das Finanças, falavam à imprensa. Um porta-voz do governo alemão chegou a dizer que era “difícil seguir todas as coisas que diziam”.

O primeiro-ministro grego terá rematado a entrevista dizendo que não quer que a Grécia saia da zona euro. “Porque eu amo a Europa”, disse Tsipras.