Vários distritos da província moçambicana de Nampula encontram-se isolados devido às fortes chuvas que se sentem na região e que destruíram estradas, pontes e uma escola na Ilha de Moçambique, afetando cerca de três mil alunos.

O diretor provincial das Obras Públicas e Habitação de Nampula, Pedrito Rocha, disse à Lusa que a situação é crítica em muitas regiões da província de Nampula, norte do país, onde chove persistentemente há vários dias. Outras escolas estão a servir de centros de acomodação das vítimas das enxurradas e estão a ser reunidas tendas/escolas para assegurar que o curso normal de aulas não seja interrompido por um período longo.

A mesma fonte disse que todos os distritos localizados na zona costeira da província de Nampula encontram-se numa situação caótica, em consequência das chuvas. Pedrito Rocha apontou que os distritos de Mossuril, Larde, Moma, Liupo, Mogincual, Ilha de Moçambique, Angoche e Mogovolas encontram-se numa situação critica e estão isolados do resto da província com a destruição das vias de acesso e pontes.

Por outro lado, segundo o diretor das Obras Públicas e Habitação de Nampula, técnicos de uma equipa multisetorial foram deslocados para o terreno para fazerem um levantamento dos estragos. As autoridades moçambicanas retiraram na semana passada o nível de alerta máximo para as cheias, baixando-o de vermelho para laranja, embora garantam que mantêm a vigilância às condições meteorológicas e níveis das albufeiras das principais bacias hidrográficas de Moçambique e dos países a montante.

Moçambique é ciclicamente assolado por cheias durante a estação chuvosa, que tem o seu pico entre janeiro e fevereiro, por se localizar a montante de algumas das principais bacias hidrográficas da África Austral, e as enxurradas têm sido acompanhadas por epidemias de cólera, que provocam dezenas de mortes. Pelo menos 160 pessoas morreram e mais de 200 mil foram afetadas pelas cheias, em janeiro passado, nas províncias do centro e do norte do país.

Só na Zambézia, 137 pessoas morreram, 64 foram dadas como desaparecidas e mais de 40 mil perderam as suas casas, em resultado das cheias, que alagaram campos agrícolas, destruíram salas de aulas, estradas, pontes e a rede elétrica. Paralelamente aos estragos provocados pelas cheias, um surto de cólera eclodiu nas províncias assoladas pelas enxurradas, matando mais de 40 pessoas.