Marcelo Rebelo de Sousa diz que “houve uma minimização de Sampaio da Nóvoa”, mas considera que é um erro por parte dos comentadores de direita terem ficado “tão felizes” com este anúncio. Sem nunca falar sobre a sua própria candidatura, o comentador assumiu que Sampaio da Nóvoa pode ser um adversário de peso, alargando a base de apoio a toda a esquerda.

A questão que falta responder, segundo o que o professor disse no seu espaço de comentário semanal na TVI, é se o PS vai ou não apoiar Sampaio da Nóvoa. Marcelo considera que o PS de António Costa vai dar o seu apoio antes das legislativas e assim fazer um “dois em um”, apelando nas legislativas a uma eleitorado mais amplo à esquerda, devido ao posicionamento ideológico de Sampaio da Nóvoa, antigo reitor da Universidade de Lisboa, e tornar esta figura mais conhecida da opinião pública.

O professor desvaloriza desde já a rutura que este nome está a causar dentro do PS, dizendo mesmo que Sampaio da Nóvoa vai servir para a “viabilização de governos à esquerda”, caso Costa venha a ganhar as legislativas sem maioria absoluta. O professor lembrou que o antigo reitor esteve presente na celebração do centenário de Álvaro Cunhal organizado pelo PCP e que participou em várias conferências de alternativas à esquerda, dizendo mesmo que acompanha a preparação desta candidatura há dois anos, sendo próximo de um dos maiores apoiantes de Nóvoa, Eduardo Paz Ferreira.

Sobre os candidato à direita, Marcelo apenas rejeitou a possibilidade avançada por Santana Lopes de uma possível candidatura às presidenciais de Paulo Portas, dizendo: “Depois de levar uma sova, candidatava-se a levar outra sova? Só se fosse masoquista”.

Quanto ao Governo, Marcelo disse que “os números são mais positivos do que negativos” e que se os “números dessem para ganhar eleições, era uma empurrão importante”, mas lembrou que “os números são números e demoram a chegar aos bolsos das pessoas”. O antigo líder do PSD diz que o balão de António Costa está a “desinchar” – não só com os resultados na Madeira, mas também com as dificuldades em capitalizar popularidade em votos nas sondagens recentes -, mas critica a maioria por encarar a formação de uma nova coligação com “leveza”. “Há uma boa disposição e uma sensação de conforto no Governo que pode ser ilusório”, avisou Marcelo.