“Há um tempo para tudo e já passou o tempo para Guterres clarificar as águas”. Vítor Ramalho, soarista e ex-governante, é um entusiasta apoiante da candidatura do ex-reitor da Universidade de Lisboa, António Sampaio da Nóvoa, e considera que o caminho está livre para que o PS venha a dar o apoio ao professor catedrático.
Ramalho defende que o ex-primeiro-ministro António Guterres seria “um bom candidato”, mas que, perante o seu silêncio, é natural que outras figuras se apresentem como é o caso de Sampaio da Nóvoa, que tem o apoio do ex-Presidente da República Mário Soares e que vai fazer a apresentação pública da sua candidatura nos últimos dias do mês de abril. E não acredita que esta candidatura venha “a dividir o PS”, apesar das recentes críticas que recebeu mesmo de dirigentes do PS, como foi o caso de Sérgio Sousa Pinto.
“Sampaio da Nóvoa é um excelente candidato e admito que a probabilidade do PS apoiar essa candidatura é grande, tem consistência”, afirmou Vítor Ramalho ao Observador. Esta segunda-feira, o secretário-geral do PS, António Costa, recusou comentar a candidatura de Nóvoa, mas fê-lo de uma maneira diferente em comparação com a reação que teve à candidatura do ex-deputado do PS Henrique Neto. Na altura, considerou que aquela candidatura era-lhe “indiferente”. Agora, disse que “o PS não se pronuncia antecipadamente nem em abstrato sobre candidatos” e que o partido decidirá “no momento próprio, quando houver candidaturas”.
A Sérgio Sousa Pinto, membro do secretariado nacional do PS que classificou Sampaio da Nóvoa de “demagogo venezuelano”, Ramalho recomenda “maior recato”. “Devia ter aprendido que o recato é o melhor conselheiro que há”, diz.
A atitude de Costa em esperar pelo momento certo para se pronunciar é aplaudida pelo deputado Vitalino Canas, próximo de António Vitorino. E o que é o momento certo? “O momento em que estiver definido o quadro de candidatos”. Segundo Canas, Sampaio da Nóvoa “não corresponde a todo o espectro do PS” e, por isso, é importante ainda esperar que pessoas como António Guterres e António Vitorino digam definitivamente se estão ou não interessados em ser candidatos presidenciais.
“O PS tem muitos candidatos [presidenciais] credíveis, mas os credíveis dizem ‘nim’ e os que aparecem são os menos credíveis”, resume o deputado José Lello, que gostaria de ver Guterres ou Jaime Gama em Belém.
Para Lello, o ex-reitor da Universidade de Lisboa tem “ideias demasiado bloquistas” e “ninguém o conhece”. Neste ponto, contudo, apoiantes e críticos de Sampaio da Nóvoa convergem: trata-se de uma pessoa pouco conhecida da generalidade dos eleitores. Vítor Ramalho, porém, acredita que por avançar cedo “o menor conhecimento que possa haver será dissipado”.
Nos últimos meses, Sampaio da Nóvoa foi um dos convidados para discursar no congresso do PS, esteve presente no congresso da cidadania, organizado pela Associação 25 de abril. Em 2013, participou no congresso das esquerdas, na Aula Magna, que juntou a ala esquerda do PS e figuras do Bloco de Esquerda e do PCP. Em 2012, foi convidado pelo Presidente da República para discursar nas cerimónias do 10 de junho.
Esta segunda-feira, no final da tomada de posse de Fernando Medina como presidente da Câmara de Lisboa, Nóvoa recusou comentar a sua candidatura.