O parlamento grego aprovou, na madrugada desta terça-feira, a criação de uma comissão de investigação para analisar as circunstâncias que obrigaram a Grécia a assinar o primeiro plano de resgate em 2010 e as causas do aumento exponencial da dívida.
Antes da votação para aprovar a proposta do comité de análise, o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, afirmou que “é necessário lançar luz sobre as sombras dos últimos cinco anos” para “dar às pessoas as respostas que elas merecem”, relativamente a quem deve ser responsabilizado pela crise profunda em que a Grécia se encontra.
Na sessão plenária, Tsipras também acusou Antonis Samaras, líder do partido conservador grego “Nova Democracia”, que esteve no poder durante o mandato anterior, de “estar sentado ao canto, à espera que o Governo falhe”. O primeiro-ministro grego disse ainda que Samaras “durante metade do tempo o acusa de conduzir o país para rochas, e na outra metade o acusa de assinar memorandos” no contexto de negociações com a troika, segundo o jornal grego Ekathimerini.
Já no seu discurso, Antonis Samaras disse que não se opunha a que fosse investigado o processo que levou a Grécia a assinar os memorandos com a troika, mas afirmou que esse trabalho apenas deveria ser concretizado depois de o Governo garantir um acordo com os credores nacionais.
Anteriormente, Antonis Samaras terá submetido a sua própria proposta para a criação de um comité parlamentar para averiguar as origens da pesada dívida grega, que vem desde 1981. O líder conservador garantiu que Tsipras poderia “conduzir quantos comités de investigação quisesse”, mas que nenhum iria incriminar o seu partido. Samaras alertou que “[Alexis Tsipras] está a acusar quem salvou a Grécia”, mas que tem que “se preparar para as acusações contra o atual Governo”.
A iniciativa do partido Syriza e do seu parceiro na coligação governamental – os nacionalistas gregos independentes – obteve o apoio de 156 deputados. Na votação, efetuada de madrugada, 72 deputados dos partidos PASOK e Nova Democracia, pronunciaram-se contra e 22 abstiveram-se. No total, 250 deputados votaram.
Num debate que durou mais de oito horas, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, sustentou que a comissão é uma exigência do povo, que quer respostas “sem pendor vingativo” para os “muitos pontos de interrogação” que se colocaram nos últimos cinco anos.
Como exemplos das questões que devem ser analisadas com “imparcialidade e objetividade”, Alexis Tsipras citou as circunstâncias que conduziram à saída parcial da dívida em mãos privadas em 2012, apontando ser preciso averiguar também quem reviu, e por que motivo, os dados do défice referentes a 2009, os quais foram alvo de grande polémica.
Com o objetivo de esclarecer se os anteriores governos defenderam os interesses dos gregos ao firmarem os programas de assistência, a investigação vai abarcar quatro períodos temporais e tem a intenção de apurar responsabilidades políticas.
Esta comissão foi uma das promessas eleitorais do partido de esquerda radical Syriza antes da chegada ao poder, após as eleições gerais de 25 de janeiro.
Zoi Konstantopoulou, a presidente do parlamento grego, sugeriu que o comité durasse pelo menos seis meses, até dia 6 de outubro de 2015.