Futebol

O berbicacho de só estar uma bola em campo

Ter muita bola para controlar o jogo, o ritmo que se joga e o mal que o adversário pode provocar. FC Porto e Bayern lideram as estatísticas com bola. Mas o que acontece quando têm de a dividir?

O Bayern de Pep Guardiola e o FC Porto de Julen Lopetegui são a primeira e a terceira equipas que mais posse de bola têm na Liga dos Campeões

Andreia Reisinho Costa/Observador

Quando há um problema numa relação, o melhor a fazer é encará-lo de frente, sem rodeios ou medos, dizer o que está mal, como se pode corrigir e assim ir à caça do tesouro da solução. Entre dragões e bávaros o problema tem forma redonda — no relvado só pode estar uma bola a rolar. Isto é um berbicacho valente quando, no campo, estão duas equipas com a mania de transformarem a bola num volante para a ele se agarrarem e comandarem o jogo como lhes apetecer. Não há duas equipas iguais, porque também não existem dois treinadores que matutem o futebol da mesma maneira, mas Pep Guardiola e Julen Lopetegui, pelo menos, partilham um vício.

O de ter a bola sempre, a toda a hora, respeitando a regra básica de, caso a tenham, a outra equipa não lhes pode fazer mal. É por isso que os bávaros, em oito jogos feitos nesta Liga dos Campeões, têm uma média de 67% de posse de bola, e os dragões 60,9% — o primeiro e o terceiro melhores registos, estando no meio a virtude do Barça (64,4%), onde desde pequenino toda a gente começa a fazer ‘meiinhos’ como lição para não perder a bola. Não se trata de ter a bola só por ter, de “passar a bola só porque sim”, como diz Guardiola, o homem que vê o tiki-taka, a expressão que os espanhóis inventaram, como “uma porcaria que não serve para nada” pois “a bola é para ser passada com a intenção de fazer golo na baliza rival”.

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Sim, Pep não gosta mesmo nada que, ao juego de posición do Bayern, à procura de desmontar adversários esticando os jogadores à largura do campo, dando velocidade aos passes, com não mais de um, dois toques na bola, fazendo mexer os rivais e rompendo as linhas que os defesas formas com passes verticais, e não para os lados, se chame tiki-taka. Porque, se assim o fosse, o Bayern não seria a equipa com mais remates por jogo na Champions (19.1) — o FC Porto tem uma média de 15. Para isso acontecer há que chegar perto da baliza e o Bayern fá-lo muito e quase sempre com a bolinha na relva. Por jogo, é a equipa que mais passes faz, em média: 685, dos quais acerta 89,2%.

Os dragões, aqui, perdem nos números (488 passes e 83,2% de eficácia) porque Julen Lopetegui não quererá ser tão paciente como Pep Guardiola. “Esta equipa só precisa de pausa. De avançar passo a passo, sem pressa ao início, para que nenhum dos nossos fique descolado. Avançarmos juntos, cruzar o centro do campo e depois ‘zás!’, atacar como búfalos!”, dizia o catalão nos primeiros tempos do Bayern, como contra o livro “Herr Pep”. Mas Lopetegui não. O jogo do FC Porto tem muita bola, muito passe, mas a coisa em que talvez supere o Bayern é na rapidez com que tenta fazer tudo — nas tabelas que tenta acionar à volta da área ou nas vezes em que tentar tirar a bola de um lado do campo, onde estão as atenções, para a colocar no lado oposto.

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Enquanto o Bayern faz isto pela relva, o FC Porto gosta de fazê-lo pelo ar. É por isso que já fez quase o dobro dos passes longos por jogo (89 contra 45) utilizando, sobretudo, as miras que Hector Herrera ou Óliver Torres têm nos pés. E também será por aqui que se explica como os dragões fazem mais dribles por cada partida (23,9 contra 19,1), pois assim que dá um safanão no relvado e vira a bola para o outro lado do campo, ela costuma cair nos pés de um dos extremos, Brahimi, Tello ou Quaresma, todos admiradores de convidarem o adversário para dançar e o enganarem com fintas. E se a equipa tiver conseguido trocar rápido o lado em que a bola está, é frequente que estejam num 1-para-1 com o defesa contrário.

Para Pep e Julen, para dragões e bávaros, a bola é tudo. Desde que chegou ao Bayern de Munique que Guardiola nunca teve de moer a cabeça para arranjar maneira de contrariar um adversário que quisesse tanto ter a bola como ele, e o mesmo se aplica a Lopetegui, que em Portugal, mesmo com uns empates ou derrotas à mistura, costuma ver o FC Porto a ser rei e senhor da bola. “Quanto mais bola tivermos, mais hipóteses temos de ganhar o jogo. Em teoria, não podemos sofrer golos se mantivermos a bola durante o jogo“, resumiu o treinador dos portistas, antes do jogo. E quando só há uma em relvado, o que acontece? É isso que vamos descobrir a partir das 19h45 desta quarta-feira, no Dragão, e de 21 de abril, na Allianz Arena, em Munique.

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