O ministro das Finanças grego disse esta quinta-feira que a Grécia quer “comprometer-se sem ficar comprometida” e que é uma “pena” se o seu governo e os credores não chegarem a um acordo nos próximos dias ou semanas. “Esta negociação tem de ser um sucesso”, referiu.

Para Yanis Varoufakis, permitir que a Grécia saia da zona euro é algo “profundamente antieuropeu”. O ministro espera chegar a um acordo com a Zona Euro no final de junho e avisou que “a liquidez está a secar” no país.

A Grécia não está a brincar com a Grexit [saída da Grécia da Zona Euro]“, afirmou Varoufakis. O ministro grego acrescentou que pode aceitar quaisquer condições, “desde que façam sentido” e avançou que os setores público e privado gregos precisam de uma solução urgente.

O ministro das Finanças da Grécia falou esta quinta-feira na Brookings Institution, em Washington, nos Estados Unidos da América, num evento onde também falaram o ministro das Finanças alemão Wolfgang Schauble e Christine Lagarde, diretora-geral do FMI.

Varoufakis disse que a Grécia quer ser coautora do programa de reformas e que está a propor quatro ou cinco reformas que podem ser executadas em breve. Disse também que a austeridade estava fazer com que “a Europa exportasse a crise para o mundo“.

Sobre os pontos em que tem estado em desacordo com os credores (mercado de trabalho, reformas nas pensões, no aumento de impostos de valor acrescentado e nas privatizações), o ministro das Finanças grego avançou que a posição da Grécia sobre as privatizações não é dogmática e que reduzir as pensões não é reforma.

Varoufakis afirmou ainda que copiar as regras do FMI sobre a desregulação do mercado de trabalho é “inútil”, que a Grécia está contra as ‘vendas à pressa’ que não vão reduzir a dívida e que quer criar um bad bank.

“A Grécia está mais empenhada do que ninguém para que se chegue a uma conclusão bem-sucedida”, disse Varoufakis, que também afirmou que o seu país “passou de um crescimento Ponzi para uma austeridade Ponzi” e que é preciso que o país ganhe a confiança dos parceiros.

Até à data, os gregos já chegaram a acordo com os credores em áreas como impostos, corrupção e nas iniciativas a promover para distribuir a carga fiscal sobre quem tem capacidade para pagar.Na quarta-feira, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, issed que não acredita que haja acordo entre os gregos e a Europa na reunião de 24 de abril. Nesse mesmo dia, a Standard & Poor’s baixou o rating da dívida grega, já avaliada como “lixo”.