Parece mania, insistência em escrever sempre sobre o mesmo, mas quando os motivos continuam a aparecer, que hipótese fica? A de falar nele, pois claro. E Jonas Gonçalves Oliveira é tão teimoso que não para de dar razões para que os dedos continuem a bater no teclado e montar frases sobre um brasileiro, com fome de golo, que chegou a Portugal já com 30 anos e que fez o terceiro jogo seguido a marcar por duas vezes. É obra, de tanto tamanho que, nos 12 encontros em que o avançado marcou no campeonato, o Benfica venceu sempre. Agora, contra o Belenenses, a história repetiu-se.
Porque Jonas, além de ter pantufas nos pés, das que aconchegam e matam qualquer bola, por maior que seja a força com que ali chegam, parece ter um radar que lhe diz onde estão e quantos adversários tem por perto. Em novembro dizia que “há muitos jogadores inteligentes” nos encarnados, mas nenhum terá mais esperteza com uma bola nos pés do que ele. Vai com 26 golos em 29 partidas pelo Benfica, 16 feitos no campeonato — só está a um de Jackson Martínez. E Jorge Jesus já lhe deve uns quantos ‘obrigados’ por, à 29.ª jornada, a equipa já ter vencido mais jogos (24) do que em 2009/2010 e 2013/2014, épocas em que foi campeã.
Com o Benfica líder, o treinador tem a mira focada no terceiro título e, no próximo domingo, 26 de abril, recebe o FC Porto no clássico que tudo deverá decidir. As equipas estão separadas por três pontos, e ainda o estão porque quem costuma ser suplente no Dragão fez o suficiente para ganhar à Académica quando foi preciso ser titular. Julen Lopetegui quis poupar pernas em todo o lado, mexendo na ordem de prioridades que a vitória histórica frente ao Bayern de Munique causou, e correu-lhe bem. Muito por culpa de Hernâni, que andou a correr que nem um desalmado, fintando, cruzando a bola e dizendo que não a faltas, erguendo-se quando os adversários o derrubavam.
Puxou pelo físico e ir às compras no Natal foi o que fez o Arouca para não ser derrubado e cair na segunda liga. A equipa de Pedro Emanuel tem andado na corda bamba durante a temporada, mas a vitória (2-0) contra o Penafiel, clube que partilha dessa vida, permitiu-lhe dar um pulo valioso no confronto direto com outro aflito. Iuri Medeiros e Kayembe, canhotos emprestados por Sporting e FC Porto, têm dado jeito ao treinador e, para já, também vão dando resultados. Coisa que Islam Slimani também tem dado, e muito, ao Sporting — o avançado argelino marcou o 11.º golo na liga, o primeiro saído do banco de suplentes, e deu o 2-1 com que os leões bateram o Boavista.
E a coisa esteve tremida, mesmo após o Boavista se atrapalhar e Adrien Silva marcar um golo aos 15 segundos. O empate dos homens vestidos de xadrez apareceria depois, mas antes de, outra vez, Tobias Figueiredo derrubar um contrário e ver o árbitro apontar-lhe, logo, um cartão vermelho. Há cinco épocas que um português não era expulso duas vezes no mesmo campeonato (aconteceu a Daniel Carriço, também do Sporting, em 2008/2009), mas os dedos não devem apontar todos na direção deste novato central.
Porque tal como se vira contra o Penafiel, também agora Tobias tentou remediar um erro que outros causaram: nas duas vezes em que o português travou um homem que corria isolado para desafiar Rui Patrício, houve antes um médio leonino que, no próprio meio campo e já chegado à área, colocou um passe nos pés de um adversário. A falta de concentração e acerto estarão aqui, neste momento, e não no tal em que Tobias Figueiredo decidir que mais valia um jogador a menos no campo do que um golo sofrido a mais, no marcador.
E de jogadores a menos foi um mal do qual o Belenenses voltou a padecer contra o Benfica. Na primeira volta foram Miguel Rosa e Deyverson, agora foi um acordo de cavalheiros (verbal) a tirar Rui Fonte, emprestado pelos encarnados aos azuis, do dérbi lisboeta. Antes, no encontro do Estádio da Luz, o próprio Rui Pedro Soares, presidente da SAD do Belenenses, admitira que fora ele a achar por bem não deixar que os jogadores, outrora pertencentes ao Benfica, jogassem — devido a uma cláusula de recompra prevista para o clube encarnado.
Agora, treinadores — Jorge Jesus, por causa desta polémica, defendeu que “qualquer jogador emprestado não deve jogar” –, dirigentes e presidentes já falam na questão de deixar, ou não, que futebolistas emprestados possam jogar contra o clube mãe. Por enquanto, o artigo 52.º da Liga de Clubes proíbe e diz que são nulas quaisquer acordos, verbais ou não, que o possam impedir. A verdade é que eles existem e fazem com que as coisas aconteçam na prática, mas a organização presidida por Luís Duque nada faz.
É tempo de clarificar estas situações, não? Estas e uma outra, a dos árbitros, pois a menos de uma semana do clássico ainda não se sabe se os 83 árbitros que enviaram um pedido de dispensa à Federação Portuguesa de Futebol para as últimas cinco jornadas já resolveram o imbróglio com a Liga de Clubes.
“Se isso aconteceu, não tenho muito a dizer. Comentaram-me que depois do 0-1 houve um penálti por assinalar no Restelo mas ainda não vi e portanto não tenho opinião.” A resposta é de Julen Lopetegui. O adepto dirá que, uma vez mais, o treinador do FC Porto pôs-se a falar de arbitragens enquanto vai perseguindo a liderança do Benfica. Desta vez até nem falou, pois preferiu não comentar um assunto sobre qual acabara de ter conhecimento, mas que, ainda assim, era suficiente para servir de pergunta.
E o problema estará em que, insistentemente, vai insistindo em perguntar ao técnico dos dragões o que pensa ou acha sobre as faltas, os penáltis, os cartões ou as jogadas que se vão acontecendo nos jogos dos rivais. Os treinadores vão às conferências de imprensa para responderem a perguntas e se as questões baterem sempre no mesmo, eles também vão falando sobre o mesmo. “O bate-boca também faz parte do jogo”, dizia até Jorge Jesus, há semanas, quando lhe pediram para falar sobre o que Lopetegui tinha falado antes. E quando as perguntas tocam no mesmo assunto, as respostas também tocarão.
Vitória de Guimarães 1-0 Sporting de Braga
FC Porto 1-0 Académica
Belenenses 0-2 Benfica
Penafiel 0-2 Arouca
Paços de Ferreira 0-0 Moreirense
Gil Vicente 0-0 Rio Ave
Vitória de Setúbal 1-2 Estoril Praia
Sporting 2-1 Boavista
* o Marítimo-Nacional da Madeira joga-se a partir das 20h desta segunda-feira.
O dérbi do Minho, desta vez, sorriu para o lado de Guimarães. O Vitória venceu o Sporting de Braga com um golo solitário que, além ganhar distância para os perseguidores no quinto lugar, deixou que o Sporting, o de Lisboa, ficasse com dez pontos a mais que os bracarenses. Neste dérbi só houve um golo, uma produção pobre que também se alastrou às restantes partidas da jornada — apenas se marcaram 12 golos nesta jornada.