Quinze pessoas, algumas delas oficiais seniores norte-coreanos, foram, alegadamente, executados sob as ordens do líder Kim Jong Un desde o início deste ano, revelaram os serviços secretos sul-coreanos, citados pela agência noticiosa Associated Press (AP). Mas a AP acrescenta que não conseguiu obter confirmação dos serviços secretos sobre esta informação.

A informação sobre as alegadas execuções de pessoas que terão desafiado a autoridade do líder norte-coreano terão sido transmitidas pelos serviços secretos sul-coreanos ao parlamento, à porta fechada, esta quarta-feira. As execuções podem incluir dois secretários de Estado e quatro elementos da orquestra norte-coreana Unhasu, como terá alegadamente sido revelado por um dos legisladores presentes na reunião à televisão sul-coreana Yonhap.

A liderança de Kim Jong Un parece estar marcada pela intransigência, aparentemente seguindo o caminho trilhado pelo pai e avô. Já não será a primeira vez que membros da orquestra onde cantava a mulher de Kim Jong Un são executados. Segundo o Guardian, os meios de comunicação japoneses e sul-coreanos já o tinham referido em 2013. Além disso, o próprio tio de Kim Jong Un, Jang Song Thaek, foi executado no final de 2013, alegadamente por traição e corrupção, como noticiaram na altura as televisões norte-coreanas, referiu a BBC.

Um enviado da BBC em Seul analisa a situação e lembra que fora de Pyongyang é praticamente impossível saber exatamente o que se passa no círculo íntimo de Kim Jong Un. Acrescenta que os serviços sul-coreanos têm informadores, mas que se baseiam sobretudo na análise de fotografias. “Sabemos que o tio do senhor Kim, Jang Song Thaek, foi executado em 2013 porque os meios de comunicação norte-coreanos o noticiaram”, refere o jornalista Stephen Evans. “No ano passado, seis oficiais importantes deixaram de ser vistos publicamente de um momento para o outro e os órgãos de comunicação sul-coreanos disseram que tinham sido executados.”

Um professor na Universidade de Seul dos Estudos Norte-Coreanos, Yang Moo-jin, diz que estas atitudes podem ser reflexo da tentativa de Kim Jong Un, um jovem ditador, se afirmar no poder, refere a AP. O enviado da BBC concorda que o regime se pode estar a tornar mais duro, mas deixa uma dúvida: “Kim Jong Un está no poder há apenas três anos. Está tão seguro na sua função como qualquer ditador pode estar, mas será que se sente seguro?”