Depois de apresentar oficialmente a candidatura à Presidência da República, Sampaio da Nóvoa desdobrou-se em declarações e entrevistas para se dar a conhecer e clarificar algumas posições. Num fim de semana deu três entrevistas, aqui ficam cinco ideias (mais concretas) deixadas pelo candidato que pode vir a ter o apoio do PS na corrida a Belém.

  • Não à privatização total da TAP – O assunto está na ordem do dia e o candidato presidencial começou por primeiro falar apenas da importância da transportadora aérea para a promoção da língua, mas acabou por defender uma TAP controlada pelo Estado. “Eu julgo que companhias como a TAP correspondem a setores estratégicos para um pensamento sobre Portugal, para uma visão de Portugal no mundo e devem manter-se debaixo do controlo publico”, disse em entrevista no final da semana passada à SIC Notícias. Esta é uma posição que o aproxima da posição oficial do PS.
  • Presidência itinerante – Mais do que uma Presidência aberta ao estilo de Mário Soares ou roteiros ao estilo de Cavaco Silva, Sampaio da Nóvoa quer elevar o contacto com o eleitorado a um novo patamar: descentralizar a Presidência da República. Ou seja, tornar a Presidência um órgão itinerante. “Imagino-me a instalar rotativamente a Presidência da República nalguns lugares de Portugal e a viver lá, também para marcar um problema dos últimos anos, que é o despovoamento e a desertificação”, disse o candidato em entrevista à TSF.
  • Reestruturação da dívida – Tem sido uma das posições mais claras de Sampaio da Nóvoa. O homem que quer ser Presidente da República saindo da esquerda, diz que não há dúvidas e que é incontornável que tem de haver um plano de reestruturação das dívidas soberanas. Numa semana em que o economista francês Thomas Piketty esteve em Portugal, Sampaio da Nóvoa diz concordar com o economista. “Julgo que hoje é claro para toda a gente na Europa que tem de haver um plano de reestruturação das dívidas, para encontrar soluções viáveis para o pagamento. E se não as encontrarmos a Europa entra num beco sem saída. Creio que isso é consensual. Uns podem dizê-lo abertamente, outros não o podem dizer tão abertamente. Mas nenhum de nós tem qualquer dúvida sobre essa matéria. Parece-me absolutamente inevitável”, disse em entrevista ao jornal i. Neste ponto, aproxima-se mais da ala esquerda do PS que defende abertamente uma negociação da dívida com vista a uma reestruturação que a torne sustentável. António Costa não tem sido muito claro neste ponto, defendendo apenas que qualquer solução para a dívida – não fala em reestruturação – tem de ser tomada a nível europeu.
  •  Não a uma revisão da Constituição – Defender o Texto Fundamental é a principal tarefa do Presidente da República e Sampaio da Nóvoa compromete-se a defendê-la tal como ela está, sem alterações de maior. Sampaio da Nóvoa diz que a Constituição tem sido importante, sobretudo nos últimos anos, e que por ter desempenhado esse papel, não deve ser modificada: “Mostrou que é um valor importante na defesa de certos princípios. Provou que é importante para a defesa dos portugueses, de certos valores e de certas causas, por isso, mais do que nunca, se torna importante a sua defesa e o seu cumprimento”, disse à TSF. Para o PS, a revisão constitucional não é uma prioridade.
  • É preciso alterar o Tratado Orçamental – Como está, não serve. É um entrave ao crescimento e leva ao empobrecimento. É assim a visão que Sampaio da Nóvoa tem do Tratado que, se for eleito Presidente da República, tem de defender. Para o candidato a Belém, tanto o Tratado Orçamental como a União Económica e Monetária, leia-se regras do euro, têm de ter regras diferentes: “Temos de fazer um trabalho dentro da Europa para fazer alterações de muitas das regras que hoje existem. As regras que hoje existem são regras que nos empurram para uma lógica de empobrecimento e nos empurram para uma lógica que não é a que precisamos para Portugal”, respondeu na SIC Notícias, aproximando-se da leitura do PS.

Estas são algumas das propostas mais concretas do candidato, além de umas mais gerais como o apoio ao fim da austeridade ou ainda ao fortalecimento do Estado social. O candidato defende ainda que o Estado deve investir nos setores estratégicos para o futuro, mas que este não deve “substituir muitas dinâmicas da sociedade civil”.