A diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, defendeu que a reação do Brasil ao atual mau momento económico deve passar pela melhoria das infraestruturas, reforma tributária e maior integração com o mercado internacional.

“A infraestrutura inadequada é um obstáculo chave para a produtividade em várias economias latino-americanas, inclusive no Brasil”, disse Lagarde, que intervinha num seminário promovido pelo Banco Central brasileiro, no Rio de Janeiro, cujo conteúdo foi divulgado pelo FMI.

Nessa área, a diretora-geral do FMI apoiou o programa brasileiro de concessões e as parcerias com o setor privado. Lagarde também sugeriu uma redução do custo dos projetos, com a simplificação dos impostos estaduais e federais brasileiros, além da rigidez orçamental e maior eficácia na despesa pública.

Durante a conferência, a diretora-geral do FMI afirmou que a atual conjuntura económica desfavorável é uma “oportunidade” para que o país reconheça as suas fraquezas e execute reformas.

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Outra mudança defendida foi o “rejuvenescimento” da integração do mercado, com o aumento da abertura ao comércio internacional.

Segundo Lagarde, fatores externos, como a crise global, estão a desafiar as economias emergentes e a gerar um debate sobre o papel da política monetária.

O Brasil vive atualmente um panorama de inflação elevada, estagnação do crescimento e uma previsão de retração de 1% no Produto Interno Bruto neste ano, segundo o FMI.

Para enfrentar a questão, o Governo brasileiro prevê um corte no seu Orçamento e um pacote de ajustes, que inclui o fim da desoneração de impostos de alguns setores e mudanças em benefícios sociais.

Lagarde afirmou que o Brasil deve reforçar suas políticas macroeconómicas para construir capacidade de resistir em tempos de crise, e elogiou a estratégia do país em buscar um excedente primário de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.

“Um gradual aumento do excedente primário é necessário para aumentar a credibilidade das políticas domésticas”, defendeu.

A diretora-geral do FMI adiantou que a inflação, apesar de alta no Brasil e que se situa atualmente nos 7,7%, deve cair em 2016 e convergir posteriormente para a meta prevista, que é de 4,5%.

Lagarde elogiou também os programas sociais que tiraram milhões de pessoas da linha da pobreza no país.