Cerca de uma centena de lesados do papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES) vendido aos balcões do BES tentaram derrubar as grades de um cordão policial junto à residência oficial do primeiro-ministro, em Lisboa. Os manifestantes queixam-se do calor no local onde estão acantonados pela polícia e de estarem longe da residência oficial de Pedro Passos Coelho. Pelas 15h30 a Lusa referia haver pelo menos dois feridos.
Os protestos começaram esta manhã junto à sede do Novo Banco, na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Antes das 13 horas os manifestantes tinham cortado a Avenida da Liberdade. Depois percorreram a pé as ruas de Lisboa até São Bento, a residência oficial de Pedro Passos Coelho, passando pela sede do PS, no Largo do Rato.
Os lesados do papel comercial do GES continuam a exigir que as autoridades competentes lhes restituam o dinheiro investido nos balcões do antigo Banco Espírito Santo. As cerca de duas centenas de manifestantes à porta do Novo Banco gritaram palavras de ordem contra o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e o presidente do Novo Banco, Eduardo Stock da Cunha.
“Carlos Costa: A desgraça dos pequenos e a frouxidão com as grandes burlas.”
“Passos Coelho: Executa a provisão ou demissão.”
Margarida Diniz, uma das lesadas do papel comercial, disse à agência Lusa que os lesados vão “continuar a lutar” pela causa, mesmo após a venda do Novo Banco. “Temos de mostrar ao novo comprador que se quer clientes no seu banco tem de assumir os erros dos outros”, acrescentou.
Já Alfredo Rui, outro dos lesados, referiu que quer o seu dinheiro “que está no banco há cinquenta anos”. “Considero-me enganado pelos gestores do banco porque foram eles que foram a minha casa”, disse, adiantando que se não for restituído do dinheiro “isto vai acabar muito mal”.
São cerca de 2.500 os clientes do Novo Banco com papel comercial do GES no montante total de 527 milhões de euros.
A 3 de agosto de 2014, o Banco de Portugal tomou o controlo do BES, após a apresentação de prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, e anunciou a separação da instituição em duas entidades: o chamado banco mau (um veículo que mantém o nome BES e que concentra os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas) e o banco de transição que foi designado Novo Banco.
Manifestantes foram recebidos pelo primeiro-ministro
Os lesados do papel comercial do GES, vendido nos balcões do BES, afirmaram hoje que “é importante que o comprador do Novo Banco não se deixe cair na cantiga do Banco de Portugal”, prometendo ações em todas as agências.
Em declarações aos jornalistas já na última paragem do protesto, o presidente da Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC), Ricardo Ângelo, disse que teve oportunidade de “esclarecer o assessor do primeiro-ministro sobre a situação dramática que estas pessoas estão a passar” e de avisar que “estas pessoas nunca vão desistir de receber o seu dinheiro”.
“É importante que o comprador do banco [Novo Banco] não se deixe cair na cantiga do Banco de Portugal, porque infelizmente já fomos várias vezes enganados pelo Banco de Portugal. Nós não vamos desistir, vamos animar a campanha eleitoral se for preciso, vamos animar a venda do Novo Banco. Estas pessoas não se resignam e vamos até às últimas consequências sempre”, garantiu.
Na semana passada, o Banco de Portugal reiterou que os interessados na compra do Novo Banco não têm responsabilidades sobre a dívida emitida pelo Grupo Espírito Santo (GES) que foi subscrita nos balcões do Banco Espírito Santo (BES).
A instituição liderada por Carlos Costa esclareceu que “não foram transferidas para o Novo Banco as eventuais obrigações, garantias, responsabilidades ou contingências eventualmente assumidas pelo BES, nomeadamente perante clientes de retalho, na comercialização, intermediação financeira e distribuição de instrumentos de dívida emitidos por entidades que integram o Grupo Espírito Santo”.
Ricardo Ângelo disse ainda que devia ser encontrada uma solução para os lesados do papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES), vendido nos balcões do Banco Espírito Santo (BES), antes das eleições “até porque o comprador tem todo o interesse em comprar [o Novo Banco] a bem”.
Para o presidente da associação dos lesados do papel comercial, o comprador do Novo Banco “não pode continuar com um banco que mentiu durante seis meses aos seus clientes e [ficar] com os mesmos gestores”, acrescentando ainda que “estas pessoas vão ter de responder em tribunal pelo crime de burla”.
Ricardo Ângelo adiantou também que “dentro de pouco tempo” a associação dos lesados vai “ter ações individuais”, o que quer dizer que, “em vez de ser uma manifestação, vão ser cem”.
“Vamos pôr todos os lesados à frente de cada Novo Banco a distribuir panfletos e a mostrar a verdade sobre o que nos aqui fizeram”, reiterou.
A 03 de agosto de 2014, o Banco de Portugal tomou o controlo do BES, após a apresentação de prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, e anunciou a separação da instituição em duas entidades: o chamado banco mau (um veículo que mantém o nome BES e que concentra os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas) e o banco de transição que foi designado Novo Banco.
Atualizado às 18h35