O líder e o vice-líder parlamentar da bancada parlamentar do partido de Angela Merkel no Bundestag atacaram hoje as propostas feitas pelo Governo grego aos credores, considerando que estas não são sérias e dizem que os parceiros europeus já não conseguem arranjar mais paciência para Atenas. Manter a Grécia no euro ainda é o objetivo, mas se sair, também não será uma tragédia.
A Grécia entregou esta terça-feira uma contraproposta aos credores em Bruxelas, com as reformas que considera necessárias para que as partes consigam chegar a acordo, mas, para já, os resultados não estão a ser os esperados.
De Bruxelas saíram críticas quase imediatas. Responsáveis europeus, que não quiseram dar a cara pelas críticas, qualificaram os dois documentos, de três páginas cada, uma vaga reformulação de propostas anteriores.
Hoje, o expansivo vice-presidente da bancada parlamentar da CDU/CSU, que suporta a Grande Coligação de Angela Merkel, Michael Fuchs, teceu novamente duras críticas às propostas gregas e à postura do Executivo grego nas negociações. Para Michael Fuchs as propostas gregas não são sérias e as negociações continuam muito difíceis.
“Queremos que a Grécia se mantenha no euro”, mas “o euro não irá desintegrar-se sem a Grécia”, disse.
Mas as palavras mais duras chegaram do líder parlamentar da CDU/CSU, que diz que a estratégia grega não vai funcionar e que não entende por que a Grécia “pensa que tem um estatuto especial” em comparação com outros países que tiveram sob resgate.
Michael Grosse-Broemer diz mesmo que os parceiros europeus já “não conseguem arranjar mais paciência” para lidar com a Grécia, e que Atenas quer receber empréstimos sem fazer reformas.
Atenas espera resposta
Em Bruxelas, a delegação grega ainda espera uma resposta dos credores à contraproposta entregue esta terça-feira ao comissário europeu para os Assuntos Económicos, Pierre Moscovici.
Para já, garantiram os responsáveis gregos aos jornalistas, ainda não há qualquer tipo de resposta vinda da Comissão.
Atenas está também a tentar convocar uma reunião de alto nível entre Alexis Tsipras, primeiro-ministro grego, e a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês François Hollande, mas para já nenhum dos governos confirma a realização desse encontro, que Atenas espera que ajude a desbloquear o processo.