A política do Reino Unido poderá tornar-se mais “vulnerável à disputa partidária” em antecipação ao provável referendo à pertença à União Europeia, que deverá acontecer até 2017. O alerta é da agência S&P, que esta sexta-feira reiterou o rating máximo (AAA) do Reino Unido mas passou a perspetiva para negativa, o que implica uma probabilidade de 33% de que o rating venha a ser cortado nos próximos dois anos.

Os receios da S&P têm uma natureza próxima do que se passou nos EUA, em 2011, quando a agência cortou o rating da dívida norte-americana devido aos riscos associados ao precipício orçamental, que nasceu do conflito entre Republicanos e Democratas para aumentar o teto máximo da dívida federal. “Na nossa opinião, o resultado das eleições gerais pode tornar mais difícil a existência de uma política baseada em consensos”, receia a S&P.

A S&P teme que existam “riscos económicos importantes” no horizonte do Reino Unido caso o país saia da União Europeia. Esses riscos económicos terão “implicações para o financiamento externo e para o papel da libra esterlina como moeda de reserva internacional”. A agência reconhece, contudo, que “isso iria depender do tipo de relação com a Europa e com o mercado único que o Reino Unido conseguiria negociar caso abandone a UE”.

O Reino Unido, com a sua “economia aberta e flexível”, tem beneficiado da pertença à União Europeia, notam os analistas. A agência S&P assinala, também, que a imigração para o Reino Unido melhorou o desempenho económico e orçamental do país. O primeiro-ministro David Cameron já lançou várias críticas às políticas de imigração na União Europeia.

Deve o Reino Unido continuar a ser um membro da União Europeia?“. É esta a pergunta que será feita no referendo. O ministro das Finanças do Reino Unido, George Osborne, já estará a elaborar um estudo sobre o impacto económico para o Reino Unido de uma eventual reforma das instituições europeias. O estudo incluirá, também, uma previsão sobre quais seriam as implicações para a economia britânica de uma saída do Reino Unido da União Europeia, algo que David Cameron, o primeiro-ministro recém-reeleito promete fazer até ao final de 2017.